Regional

Trem poderia ter descarrilado com sabotagem em Cafelândia

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 2 min

Uma composição da Ferrovia Novoeste carregada pode ter sido vítima de sabotagem anteontem em Cafelândia (83 quilômetros a noroeste de Bauru) quando irregularmente a chave que comanda a direção dos trilhos foi alterada. Conforme a versão dos funcionários para a polícia, um acidente somente não ocorreu porque o maquinista Pedro da Silva Palmeira, precavido após ter sofrido apedrejamento no trecho Avaiandava-Promissão, conduzia o trem de cargas vagarosamente.

Como a empresa e o Sindicato dos Ferroviários de Bauru e Mato Grosso do Sul estão em um impasse sobre o dissídio da categoria, circula a versão de que o ato de vandalismo partiu dos próprios trabalhadores.

O diretor do sindicato Evandro Gavaldão negou ontem a possibilidade de envolvimento de ferroviários com o crime. Porém, Gavaldão levantou a hipótese de que trabalhadores de uma empreiteira contratada pela Novoeste poderiam ter participação por não terem recebido pelo trabalho de manutenção na linha férrea. “A empreiteira trabalhou para a empresa (Novoeste) de forma irregular e não recebeu. A gente levanta a possibilidade de alguns deles estarem revoltados com a situação. A gente entende que o nosso movimento é pacífico e os trabalhadores estão livres para cumprir a suas atividades”, sugere.

O sindicalista explica que estão sendo apuradas as possíveis causas, porém nada foi confirmado.

Anteontem, no início da noite, a composição foi apedrejada no trecho Avaiandava-Promissão. O maquinista e o manobrista disseram ter ouvido uma explosão de bomba em um barranco ao lado da linha. Na seqüência, ao chegar em Cafelândia os ocupantes observaram que o sistema de chaveamento estava modificado e constaram que o cadeado que trava a chave foi estourado. A composição vinha do Mato Grosso do Sul em direção a Bauru carregada de minério de ferro, calcário e combustível.

O escrivão da Delegacia de Polícia de Cafelândia, Eduardo Braus Moreira, explica que o caso está sendo investigado. Um boletim de ocorrência foi registrado no DP como perigo de desastre ferroviário.

Conforme informações da PM, que atendeu a ocorrência, a composição pernoitou em Cafelândia retomando viagem para Bauru ontem pela manhã.

Greve

Gavaldão garante que 99% dos 300 ferroviários em Bauru estão parados por tempo indeterminado. Ele ressalta que o sindicato aguarda provavelmente para hoje uma contraproposta oficial da empresa. Como as negociações entre sindicato e empresa não evoluíram desde o início do ano na segunda-feira foi deflagrada o movimento de greve. A data-base da categoria é 1 de janeiro.

Comentários

Comentários