O aumento na oferta de carne bovina derrubou os preços do produto em Bauru e região. Segundo quem trabalha no setor, a baixa cotação do dólar, verificada nos últimos meses, desestimulou as exportações e a carne que iria para o Exterior foi redirecionada para o mercado interno. O aumento da oferta e a ausência de compradores forçaram a queda do custo no varejo. A baixa nos preços varia de 10% a 25% nos supermercados e açougues da cidade.
O gerente de compras de um grande supermercado de Bauru, Paulo Sanches, explica que, somente nos últimos 60 dias, houve uma queda de cerca de 25% no valor da carne no estabelecimento que administra.
O encarregado do setor de carnes e aves de outra rede, Pedro Adão Vieira, confirma a tendência de queda. Ele explica que nas unidades onde trabalha a carne está entre 10% e 12% mais barata. Ele ressalta que, além das promoções pontuais, agora os consumidores são atraídos também pelos preços baixos oferecidos diariamente. É possível, por exemplo, encontrar o quilo do coxão duro a R$ 3,99, concorrência que não se observava há muito tempo em Bauru.
Sanches admite que é possível baixar ainda mais o preço da carne porque, no momento, o pasto para o gado está em período de entressafra. Quando entrar a época das águas, a oferta de alimento para os animais irá melhorar e a engorda será mais rápida. Se a cotação do dólar permanecer em queda, os consumidores poderão comprar carne com preços ainda mais baixos. “O que preocupa é só a renovação do plantel, porque os pecuaristas estão reclamando. O reflexo negativo pode ser sentido em 2006.”
O gerente explica que o supermercado, com três lojas em Bauru, vende, a cada mês, uma média de 200 toneladas de carne bovina. Nesta maré de queda de preços, ele comenta que a empresa teve crescimento de 20% nas vendas no último mês de julho se comparado aos negócios efetuados em junho deste ano.
Ele explica que, no ano passado, as carnes nobres chegavam a custar R$ 20,00 o quilo. Hoje, elas estão 60% mais baratas. Sanches comenta que principalmente a alcatra, contrafilé, coxão mole e filé mignon tiveram quedas significativas. Ele arrisca dizer que os preços ficarão convidativos ainda por um período de 90 dias.
O gerente de compras Aparecido Martins de Oliveira avalia que o mercado é que vai ditar até quando o preço ficará estável. “Tem pecuarista segurando o boi no pasto e há frigoríficos que estão sentindo o problema. A carne estará estável e em alta desde que os frigoríficos aceitem pagar o que os pecuaristas querem”, afirma.
Em um açougue na avenida Nossa Senhora de Fátima, o proprietário Nélson Benedito de Souza explica que, ao invés de uma queda acentuada, o valor do produto se estabilizou no mercado. Ele avalia que, muitas vezes, os supermercados praticam preços de custo para incentivar o consumo de outros itens da loja.