Comer bem, e de graça, foi o que conseguiram vários universitários ontem ao “pendurar” as contas em restaurantes de Bauru. Graças ao “Dia da Pendura”, Luiz Carlos Bonafin Negri, 21 anos, almoçou em um restaurante do Bauru Shopping na “faixa”. A pendura é tradição que se renova todos os anos em 11 de agosto, Dia do Advogado, quando os estudantes de direito não pagam o que consomem em restaurantes.
Negri comenta que em Bauru a tradição é mais “light”, com o proprietário do estabelecimento sendo avisado com dias de antecedência da visita do grupo. “Em São Paulo, o pessoal não avisa”, comenta.
A proprietária de um restaurante de massas, Ana Cecília Magnabosco, explica que, todos os anos, diferentes grupos de estudantes comparecem ao seu estabelecimento no “Dia da Pendura”. Ela, que é estudante universitária, não vê problemas desde que ocorra uma conversa amigável.
Magnabosco diz que gosta do momento do discurso, mas não aceita, em hipótese alguma, quem força a “pendura”. “Tem gente que chega impondo e isso eu não aceito.”
Negri cursa o quarto ano de direito na ITE e, do primeiro para o segundo ano, passou a engrossar a turma da “pendura”. Só ontem pela manhã, o secretário do Centro Acadêmico 9 de Julho da ITE, Ricardo Caleda, distribuiu 200 cartas que seriam repassadas aos comerciantes. O CA da ITE estimula a “pendura” todos os anos.
Negri conta que pretendia jantar com mais três amigos em uma churrascaria do Centro da cidade. Conforme o estudante, as principais churrascarias já tinham cartas da “pendura”.
“Pendura fashion”
Seis estudantes de direito da Universidade de São Paulo (USP) aproveitaram o “Dia da Pendura” ontem e saíram sem pagar uma conta de R$ 488,00 do restaurante Leopolldina, que fica dentro da Daslu.
Durante toda esta semana, os estudantes já têm “presenteado” restaurantes paulistanos com o calote.
Após se deliciarem no bufê - que oferecia salmão, medalhão de filé mignon e foie gras (patê de fígado de ganso) -, os alunos cantaram para explicar por que não pagariam. “Garçom, tire a conta da mesa e ponha um sorriso no rosto. Seria muita avareza cobrar no 11 de agosto”, diz um dos hinos.
A polícia não foi chamada. “Esperava passar um tempo no DP”, lamentou a caloura Júlia Lima. Segundo o estudante Maurício Schuartz, 22 anos, a Daslu foi escolhida para “variar” os alvos. “A pendura quase sempre acontece nos mesmos lugares”, justificou. De acordo com a Daslu, o episódio terminou bem e não houve brigas.
No restaurante mexicano Calmecac, também em São Paulo, o resultado foi diferente. A polícia foi acionada por causa de um grupo de dez alunos que não quis pagar a conta.