Rural

Agrifam prioriza ensino ao agricultor

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 5 min

Ampliar a visão dos pequenos agricultores sobre a cadeia produtiva, dar orientação especializada, oferecer crédito facilitado e apresentar novidades de custo acessível. Estes são os principais objetivos da terceira edição da Feira Estadual da Agricultura Familiar e Trabalho Rural (Agrifam), que começa hoje e prossegue até domingo, em Agudos. A abertura terá a presença do governador Geraldo Alckmin

“Queremos melhorar as condições de trabalho e aprimorar o agronegócio familiar em todas as áreas. Temos na feira máquinas, tecnologia, insumos, crédito e profissionais para capacitar os trabalhadores. Os pequenos agricultores têm que perceber que há grandes oportunidades de geração de renda depois da porteira (além do trabalho desenvolvido na propriedade)”, destaca o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de São Paulo (Fetaesp) - promotora da feira -, Braz Agostinho Albertini.

Um dos destaques do evento neste ano é a presença do Carrefour, atuando no setor de compras diretamente do produtor, principalmente frutas, legumes e verduras.

A feira cresce e ganha mais destaque a cada ano. De acordo com a assessoria de imprensa do evento, a previsão é de receber cerca de 30 mil pessoas durante os três dias. Somente de pequenos agricultores, o número esperado é de 15 mil, que virão em 380 caravanas das mais diversas regiões do Estado.

Ontem à tarde estavam sendo montados os 116 estandes de expositores que estão presentes na feira este ano. Entre eles o da Bauru Frutas, associação que congrega 34 agricultores familiares e que, atualmente, produz 25 toneladas de maracujá por mês.

Entre os destaques do evento, no que diz respeito às possibilidades de aproveitamento que serão apresentadas aos agricultores, está o biodigestor. Ele consiste em aproveitar, de maneira simples e de baixo custo, as fezes de bovinos para produzir metano e, no final do processo, serem utilizadas como adubo orgânico. O projeto é dos câmpus de Botucatu e de Jaboticabal da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

“Com duas vacas já é possível fazer isso. Ao lado do local onde elas comem, monta-se uma estrutura de madeira (vazada) para elas defecarem. Aproveitando o declínio do solo, as fezes vão para um reservatório coberto, onde se transformam em chorume que, posteriormente, será levado por mangueiras até a horta da propriedade. Essa visão do aproveitamento total ainda falta aos pequenos agricultores, e a feira vai ensinar muito sobre isso”, observa André Guimarães, um dos organizadores da Agrifam.

Projetos

Outro exemplo que está reproduzido na área do Instituto Técnico e Educacional para Trabalhadores Rurais do Estado de São Paulo (Itetresp) - onde está montada a Agrifam - é um sistema de irrigação que aproveita a água da chuva para nutrir o pasto. Com ele, a irrigação é feita de forma homogênea em toda a área.

Este sistema pode ser complementado pelo projeto de cercas removíveis, que determinarão o caminho a ser seguido pelo rebanho. Desta forma, os animais são direcionados automaticamente para os locais do pasto onde a alimentação natural está mais disponível. Também foi montado no local um minilaticínio, com a utilização de ordenhas mecânicas para a obtenção do leite, totalmente adequado às exigências da legislação atual.

O diretor da Hecta Desenvolvimento Empresarial nos Agronegócios, José Carlos Pedreira de Freitas, destaca que a propriedade rural não existe sozinha.

“Diferentemente de uma fábrica ou de uma loja, a fazenda não existe sozinha. Como se trata de uma atividade orgânica, com muitas interconexões, a fazenda está interligada ao que acontece antes dela e depois dela, e não somente dentro dela. Isso compõe o conceito de cadeia produtiva, de agronegócio. Esta é a primeira feira agropecuária do Brasil que retrata a cadeia produtiva e que tem a presença de um supermercado, que é a ponta dessa cadeia”, ressalta Pedreira.

Crédito

O Banco do Brasil (BB) está presente na Agrifam e anunciou, ontem, R$ 30 milhões para serem financiados pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) durante a feira. Os juros são de 3% a 7% ao ano. O Banco Nossa Caixa disponibiliza crédito por meio do Fundo de Expansão da Agropecuária e da Pesca (Feap). Também há no local um estande do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

“As taxas de juros são bastante acessíveis aos pequenos agricultores. Na feira, eles encontrarão muitas oportunidades que podem se encaixar no seu orçamento. Quem se interesser por alguma linha de crédito, poderá fazer a proposta ao banco durante a feira mesmo”, destaca o presidente da Fetaesp.

No ano passado foram fechados 1.300 contratos de fianciamento, no valor de aproximadamente R$ 13 milhões. Para este ano a expectativa é de gerar negócios em torno de R$ 25 milhões, somando financiamentos e vendas diretas.

No Estado de São Paulo existem cerca de 250 mil famílias de agricultores e 800 mil assalariados rurais, segundo a federação.

• Serviço

A terceira edição da Agrifam será realizada de hoje a domingo, no Itetresp, localizado no km 322 da rodovia Marechal Rondon. O funcionamento será das 8h às 18h e a entrada é gratuita.

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Palestras

A terceira edição da Feira Estadual da Agricultura Familiar e Trabalho Rural (Agrifam) também contempla uma diversificada programação técnica direcionada à agricultura familiar, para a qual o presidente da Fetaesp, Braz Agostinho Albertini, chama a atenção. Estão programadas palestras diárias em dois auditórios, que abordarão temas como cooperativismo, crédito, biodiesel, pastagem rotacionada para gado de leite, qualidade do café e legislação da agroindústria.

Além disso, especialistas de várias áreas estarão disponíveis para sanar dúvidas sobre Previdência rural, regularização de terras, direitos trabalhistas, legislação, entre outros assuntos. Expositores da Unesp de Botucatu e de Jaboticabal também darão orientação sobre os projetos apresentados.

Com o apoio do Ministério da Ciência e Tecnologia, a terceira edição da Agrifam traz ainda o 2.º Concurso Inventor Rural, formado por duas categorias: Agricultores e Incentivo à Pesquisa. “Esse concurso é fantástico, pois acaba mostrando idéias simples que podem ser adaptadas pelos agricultores em suas propriedades. No ano passado, fez muito sucesso um dos projetos ganhadores, que foi um descascador de mandioca”, lembra Albertini.

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