Atraindo cerca de 3 mil pessoas de diversas regiões do País, o Campeonato Nacional de Paint Horse, promovido pela Associação Brasileira de Criadores do Cavalo Paint (ABC Paint), está movimentando a economia de Bauru - cidade sede da associação. As provas da competição começaram ontem e o evento será encerrado amanhã, no Recinto Mello Moraes.
O presidente da ABC Paint, criador Orlando Lamônica Júnior, destaca que os visitantes e participantes das provas do campeonato contribuem para a circulação de dinheiro na cidade por meio das hospedagens em hotéis, da ida a restaurantes e das compras no comércio.
“Um evento desse porte traz de 3 mil a 4 mil pessoas a Bauru, que movimentam a economia do município. Além disso, nós esperamos a presença de um grande público da cidade para assistir as provas do campeonato. O recinto (Mello Moraes) é um dos melhores do País em infra-estrutura. Temos 400 baias de alvenaria e um tattersal recentemente reformado com dois mil metros quadrados”, observa Lamônica.
Dando uma volta pelo recinto, chama a atenção a forma cuidadosa e meticulosa com que os animais são tratados. Ontem à tarde, o treinador João Paulo Miranda estava arrumando a égua Shakira, que vai participar hoje da primeira etapa do 10.º Campeonato Nacional de Conformação. A raça paint tem como principal característica as pintas brancas espalhadas pelo corpo do animal (leia mais no texto abaixo).
“Hoje (ontem) eu estou dando a ela um tratamento especial, que é a preparação para participar das provas de conformação. Os animais que participam de competições ficam o tempo todo na cocheira para não tomar sol nem chuva, tomam banho uma vez por semana e têm seu pêlo escovado todos os dias. Tem gente que passa aspirador de pó para deixar o pêlo brilhando, mas também tem alguns produtos e sprays para isso. A alimentação deles é só com ração e alfafa”, conta Miranda, enquanto faz um penteado na crina de Shakira.
O médico veterinário Waldir Ribeiro de Oliveira Júnior, criador da raça, veio de Maringá (PR) para participar do evento e trouxe junto parte da família. Segundo ele, a escolha pela criação de paint deve-se à valorização da raça e ao fato dos animais terem grande habilidade para o trabalho. Os cavalos paint são exímios apartadores de gado e dóceis com as pessoas.
“Eu trouxe dois cavalos para participar das provas. Sempre participo dos campeonatos promovidos pela ABC Paint, pois são muito importantes para a classificação e valorização dos animais. As provas do Potro do Futuro são muito importantes, pois nelas despontam animais que certamente serão grandes campeões.”
Rosenberg Fundão Azevedo percorreu 1.700 quilômetros para chegar até Bauru. “Eu sou de São Mateus, no Espírito Santo. Faço questão de participar desses campeonatos. Aposto na raça paint porque ela tem registrado um excelente crescimento no Brasil”, afirma o criador, que tem vários cavalos premiados em outras competições.
Provas
Segundo a assessoria de imprensa da ABC Paint, mais de 560 inscrições foram feitas para as provas de tambor, baliza, laço, laço em dupla, rédeas, apartação, team penning, western pleasure e conformação. Segundo Lamômica, esses números mostram que a raça está cada vez mais forte no País. Na Copa Top Ten, a premiação total em dinheiro a ser distribuída entre os vencedores é de R$ 67 mil.
“Neste ano completamos dez anos de transferência da sede da associação para Bauru. É notável o quanto a raça tem crescido a cada ano. A qualidade do paint horse brasileiro é reconhecida no mundo inteiro”, destaca.
De acordo com Lamônica, é muito difícil falar no valor financeiro desses animais. “Depende de quantos campeonatos já participou, quantos ganhou, suas características, entre outros fatores. Nos leilões (que sempre oferecem condições facilitadas de pagamento), a média de preço para um animal de até 24 meses é de R$ 15 mil”, diz. Segundo a assessoria de imprensa da ABC Paint, um garanhão top de linha da raça já foi comercializado por R$ 356 mil em um leilão.
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Origem
A raça paint horse teve origem nos Estados Unidos e já foi descartada por muitos criadores em função das “pintas” dos cavalos. Atualmente, a característica que deu nome à raça (paint horse significa cavalo pintado) conquista um número cada vez maior de criadores. Nos EUA, já é primeira raça em preço e a terceira em criatório. O Brasil é um dos campeões de importação desses animais.
O paint horse é derivado do cavalo quarto-de-milha (QM), que também tem origem norte-americana e é o resultado do cruzamento do puro sangue inglês (PSI) com o chamado mustang americano. Depois, o QM passou a descriminar o cavalo com manchas, classificado como artigo 53. Essa regra desprezava animais que tivessem qualquer mancha branca acima de cinco centímetros quadrados no corpo acima do joelho, ou entre o canto da orelha até o canto da boca.
No início da década de 60, os norte-americanos passaram a perceber que os animais da raça paint eram extremamente versáteis e dóceis. Em 1962, foi fundada a American Paint Horse Association, que atualmente reúne cerca de 48 mil criadores. Desde então, a aceitação desses animais só aumentou.
Segundo Orlando Lamônica Júnior, presidente da ABC Paint - que conta com cerca de 3.500 sócios -, atualmente existem 11 mil animais da raça registrados no Brasil. Na região de Bauru, aproximadamente 30 haras têm criação de paint horse.