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Alunos do diurno migram para noturno

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Há cerca de cinco meses, Gustavo Godoy Morilha,16 anos, estudante da 2.ª série do ensino médio, arrumou emprego como instalador de som por meio período. Com a saída de um outro funcionário da empresa, foi convocado para trabalhar o dia todo. Os planos dele, que está matriculado no período da manhã na escola estadual Francisco Alves Brizola, no Núcleo Geisel, era a transferência para a noite. Mas o segundo semestre letivo começou e ele ainda não conseguiu vaga no noturno. O motivo, segundo a Diretoria Regional de Ensino, é que no meio do ano há uma migração de estudantes do diurno para o noturno.

“Já é um fenômeno que esperamos porque ocorre todos os anos, principalmente com os alunos do ensino médio. Eles iniciam o ano estudando durante o dia e as salas do noturno têm um número reduzido de alunos. Mas no decorrer do primeiro semestre, quando completam 16 anos e arrumam emprego, então querem a transferência e aí as salas do noturno lotam”, explica Vera Nilce Jarussi Gomes de Sá, dirigente regional de ensino de Bauru.

A escola, afirma ela, tenta encaixar o aluno em uma de suas classes, priorizando aqueles que comprovam que estão trabalhando, mas nem sempre há vagas. “Assim as vagas são preenchidas. Quando a classe chega à lotação máxima, o aluno precisa aguardar vaga de outro que está faltando muito ou ir para outra escola onde hajam vagas”, frisa.

A dirigente de ensino ressalta que a escola não pode ultrapassar o limite de alunos por classe nem abrir nova turma se não tiver o número mínimo exigido pela Secretaria de Estado da Educação. É por isso que Marilha não sabe se continuará estudando neste ano. “Se tiver que escolher entre trabalho e estudo, vou ficar com o trabalho porque estava procurando emprego desde quando eu fiz 14 anos”, comenta ele que ganha um salário mínimo e está pedindo a transferência há dois meses. “Já levei três cartas pedindo a transferência e eles dizem que não tem vaga”, completa.

Morador no Núcleo José Regino, ele cobra a vaga na mesma escola em que estudava por ser perto de sua casa. “Realmente tem 45 alunos matriculados, que é o número máximo por sala, mas uns 20 não estão freqüentando as aulas”, comenta.

A dirigente de ensino não tira a razão de Marilha. “Realmente tem alunos que não entram para as aulas e outros que são faltosos, mas temos que verificar se realmente são desistentes ou colocá-los numa lista à parte para dar a vaga ao outro”, diz.

Já Danilo Prado Veríssimo Leite, 16 anos, aluno da 1.ª série do ensino médio também na escola Francisco Alves Brizola, conseguiu a transferência para o noturno depois de ter perdido uma semana de aula. “Consegui anteontem”, comemora ele que conseguiu emprego de montador de bijuterias nas férias de julho.

Insistência

A mãe dele, Patrícia Prado Veríssimo Leite, insistiu na transferência alegando que nas turmas da 1.ª série do ensino médio da escola Francisco Alves Brizola é alto o índice de alunos que não aparecem para as aulas. “Da sala de 40, 45 alunos, só uns 20 freqüentam as aulas. Os outros estão matriculados, mas não entram ou nem aparecem na escola”, comenta. Ela considerava inviável a transferência para outra escola. “Esta escola fica perto de casa. Se for para outra, em outro bairro, meu filho chegaria muito tarde em casa e precisaria de transporte” completa.

Para estudar à noite, o aluno tem que ter 16 anos, exigência do Estatuto da Criança e Adolescente (ECA). Se menores de 16 anos precisarem estudar à noite, é preciso autorização do juiz da Infância e Juventude para efetuar a matrícula.

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