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Sesi mobiliza estudantes contra a violência verbal

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 2 min

Gordo, baleia, magrela, magricela e dentuço são apenas algumas das formas pejorativas de tratamento que é comum no relacionamento entre os estudantes. Pensando em como abordar e evitar a discriminação na escola, os educadores do Centro Educacional do Sesi promovem o projeto “Vamos Enfrentar de Frente as Violências nas Escolas” na unidade de Bauru e em outros municípios.

As formas pejorativas de tratamento podem causar mudanças no comportamento de quem passa a ser estigmatizado. Ainda mais se a vítima for um adolescente ou uma criança sensível à pressão do grupo e, por isso, preocupado com o conceito que os colegas têm dele.

A coordenadora do Sesi, Maria Diva Gerdullo, explica que a proposta começou em 2004 quando se constatou que o que mais atrapalhava o relacionamento dos alunos era a violência verbal no trato entre eles.

Nesta semana, a escola parou para refletir o assunto, conhecido como bullying. Para os especialistas em comportamento infantil, a prática do bullying vem sendo pesquisada como algo sério que pode levar ao suicídio das vítimas de perseguição. O termo se traduz pela gozação maldosa que atinge crianças, adolescentes e até professores. Os autores, geralmente, estão entre os mais fortes e extrovertidos da turma. Um traço de quem ofende o colega é não perceber que está humilhando e agredindo. Quem sofre o bullying costuma se fechar e não reagir.

Gerdullo conta que a escola optou por atividades lúdicas, como encenações de situações vividas por alunos, dança, poesia, exibição de depoimentos e filmes. Antes, o tema foi abordado em rodas de conversas.

Muito à vontade, os adolescentes do período da manhã se mostraram abertos a discutir o problema. As amigas Elizabeth Afonso, 14 anos, e Winda Mayara, 13 anos, estudam na 7.ª série e conhecem bem uma a outra. De personalidades diferentes, Winda é mais “na dela” enquanto Elizabeth mostra maior desinibição. Winda já passou pelo constrangimento de ouvir comentários maldosos, característica do bullying, sobre seu cabelo crespo. “Falam, mas eu não ligo”, rebate. A amiga diz que já recebeu apelidos, mas todos carinhosos. Winda ressalta que os colegas da escola estão levando a sério a reflexão sobre o problema.

A estudante da 8.ª série Jéssica Gomes Barbosa, 14 anos, destaca que o tratamento pejorativo é “insuportável”. “Quando acontece, no primeiro momento, a gente fica triste”, destaca. Também cursando a 8.ª série, Danilo Roa Barbosa, 14 anos, tem um remédio que entende ser eficaz. “Você não tem que ligar para quem pratica a violência. Deixa quieto porque vão perceber que você não está dando bola e aí param”, aconselha.

A atividade envolveu cerca de 1.250 estudantes, divididos no três períodos de aula, durante esta semana. Gerdullo explica que, na semana que vem, a questão será tratada com os pais dos alunos.

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