“Hora de Voltar”, recém-lançado em DVD e VHS nas locadoras, é o que pode ser chamado de um pequeno grande filme. Ganhador do Independent Spirit Award 2004 como Melhor Filme de Estréia, este sensível longa ganha destaque por lançar um fio de esperança no deserto de filmes de e sobre a juventude. Em meio a “American Pies” e comédias românticas com taxa de glicose além do permitido a pessoas com senso crítico, essa produção, uma legítima “comédia dramática”, permite-se mostrar jovens como a maioria: trabalhadores meio frustrados, em busca de algo desconhecido e anestesiados, seja por antidepressivos, cafeína, álcool ou excesso de informação.
“Hora de Voltar” (“Garden State”, EUA, 2004) tem roteiro e direção do novato Zach Braff, mais conhecido pelo médico J.D. do seriado “Scrubs”. Ele ainda interpreta Andrew Largeman, um ator de TV desempregado em Los Angeles, que vive em um estado de quase torpor emocional induzido por lítio e outros medicamentos há muitos anos. Sua anestesia é tanta que ele chega a zombar de si mesmo: “Me sinto tão dopado que só andam me oferecendo papéis de deficiente”.
Com a morte de sua mãe, ele é obrigado a voltar a Garden State, para onde não ia há nove anos, e encarar seu pai, velhos amigos e novas descobertas. Para enfrentar a viagem, ele decide abandonar os medicamentos e voltar a sentir alguma coisa, mesmo que isso lhe acarrete enfrentar a dor da perda e outros sentimentos dos quais ele só tinha “conhecimento técnico”.
Com elenco de grandes nomes, como Natalie Portman, Peter Saargard e Iam Holm, o filme trata os personagens jovens em todo seu potencial, seja o ator anestesiado, seu dedicado amigo de infância que trabalha como coveiro ou a linda garota excêntrica e madura. Não interessa mais se eles faziam parte da turma popular ou dos fracassados no colégio, nem suas primeiras experiências com drogas e sexo.
Para eles – assim como na vida real -, a vida já começou aos 20 e poucos anos. No entanto, isso é suficiente para dizer que seu caminho já está traçado, se aos 26 anos o emprego não é que se desejava? Ainda há tempo de voltar ao começo, perdoar-se e tentar de novo?
Sem respostas. Além do filme, a boa notícia é que Braff ganhou prestígio com o sucesso de público e crítica e já tem alguns projetos em desenvolvimento, além de ter sido escolhido para protagonizar o novo longa de Kevin Smith. Bem-vindo.