Demorou, mas o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) reconheceu o que muitos especialistas já alertavam há muito tempo: o Programa de Avaliação da Conformidade para empresas que realizam serviços de inspeção técnica e manutenção de extintores de incêndio, principalmente os automotivos, não alcançou o objetivo para o qual foi desenvolvido: propiciar adequado grau de confiança na qualidade do produto com o menor custo para a sociedade. Em ofício enviado a diversos estabelecimentos do ramo, o órgão não só admite o problema como também promete apertar o cerco na fiscalização contra a maior “praga” do setor: as fraudes.
No documento, o diretor de qualidade do Inmetro, Alfredo Carlos Orphão Lobo, ressalta que os resultados insatisfatórios têm sido observados desde a criação do programa, antes mesmo de passar a ser gerido pelo instituto. “Eles foram muito aquém do desejado e a repetição das verificações de conformidade em extintores coletados no mercado no ano passado não revelou melhorias. Ou seja, os organismos de certificação e as empresas de manutenção e inspeção, mais uma vez, não atuaram de forma efetiva na implementação das ações corretivas”, frisa Lobo.
Não faltam provas dos problemas dos extintores vendidos no País, que atualmente devem ser trocados pelos de carga ABC. Reportagem publicada pelo AutoMercado & Cia, há cerca de dois meses, informou que os testes encomendados, no ano passado, pela Associação Nacional de Proteção contra Incêndio (ANPI) em centenas de empresas de manutenção de extintores automotivos do País apontaram São Paulo como líder do ranking nacional da baixa qualidade do produto, superando Paraná, Distrito Federal, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
Por isso, o Inmetro promete endurecer o jogo contra as empresas de manutenção de extintores do País. O diretor de qualidade do órgão destacou que já foram planejadas, e mesmo iniciadas, profundas alterações no programa de certificação dos equipamentos.
Entre elas, Lobo cita a realização de fiscalizações rotineiras nos processos de inspeção e manutenção a serem efetuadas pelo Instituto Estadual de Pesos e Medidas (Ipem) e a convocação do Ministério Público Federal para a elaboração de um Termo de Ajuste de Conduta envolvendo todos os atores dos programas de certificação, além da assinatura de termos de compromisso das oficinas com o Inmetro que facilitem a aplicação de penalidades e revisão dos regulamentos para introdução de modificações. “Esta já se encontra em andamento e, quando for concluída, será publicada para consulta pública”, garante Lobo.
A iniciativa do Inmetro é elogiada por comerciantes do setor, como Maurício Magrini, dono de um estabelecimento bauruense especializado na manutenção de extintores. Para ele, as ações do instituto podem ajudar a moralizar o segmento. “Ouvi falar em diversas ocasiões sobre punições para as empresas, mas não tenho conhecimento disso ter efetivamente ocorrido. Espero que o órgão trate com mais rigor os estabelecimentos que não tenham condições de atender aos requisitos das normas de manutenção de extintores, pois a quantidade praticada de fraudes é enorme”, salienta.
Além disso, Magrini sustenta que a atitude do Inmetro pode ser o primeiro passo para a implantação do sistema autorizado de manutenção dos extintores. “Temos lutado por isso há muito tempo. A intenção é criar uma rede de assistência técnica autorizada semelhante às existentes com os automóveis, eletroeletrônicos e eletrodomésticos com o aval dos fabricantes, que só autorizariam as empresas que demonstrassem capacidade técnica para realização do serviço”, conclui.
Fique de olho!
• Cheque apuradamente a aparência visual do extintor, que atualmente deve ser trocado pelo de carga ABC (leia página 5). Ele não deve ter amassados, ferrugem ou pintura descamada ou velha nem sinais de veda-rosca na base da válvula, pois são indícios de desleixos graves com a manutenção
• Ainda visualmente, verifique a data em que a carcaça do extintor foi fabricada para evitar a utilização de cilindros demasiadamente velhos. Ela deve estar sempre impressa embaixo ou no pescoço do cilindro
• Observe com atenção redobrada a presença e as marcações do selo do Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro) - em papel azul nos recondicionados e gravado na carcaça dos novos - e do lacre da válvula de pressão. Enquanto o primeiro registra a data em que a manutenção foi realizada no extintor, o segundo marca a data da próxima recarga
• Desconfie dos extintores muito baratos. A recarga de um extintor à base de troca custa, em média, R$ 10,00 em estabelecimentos especializados. Portanto, preços abaixo desse valor podem ser indícios de produtos de baixa qualidade