Politicando

Parando aos poucos


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Cidadezinha do interior de economia invejável, usina, grande zona rural tudo administrado pelo prefeito, um administrador duro, mas correto e respeitado. Pai de uma única filha que tinha diploma de quase tudo. Apareceu no lugar um borra-botas galanteador que logo caiu nas graças do maior partido do lugar, a filha do prefeito. O homem ficou fulo da vida, porém para não contrariar a filha, foi obrigado a engolir o romance e fazer o casamento. Transformou o genro em secretário na prefeitura e vereador na eleição seguinte.

O sortudo vivia como um rei. Mulherengo de nascimento, começou discretamente, mas logo já dominava o mulherio do lugar. Um autêntico dom Juan. A esposa fingia que não via nada pois amava-o loucamente. Porém, com o passar do tempo o marido-vereador começou a passar dos limites.

A moça começava a se envergonhar das façanhas do marido e resolveu tomar uma atitude drástica. Chamou-o e, de dedo em riste, avisou-o que se ele não parasse, ela se separaria, não daria mais nada a ele, enfim ele voltaria a ser um joão-ninguém. Vendo-se ameaçado resolveu dar uma parada, pois não havia outro jeito. Passados três meses de aparente paz, a filha do prefeito voltando da escola em que ministrava aulas, já tarde ao virar uma ruela, deparou-se com o marido em trajes íntimos, num cantinho, escuro, agarrado a uma anã que morava na cidade. Possessa ela foi de encontro ao casal. Vendo a esposa o vigarista antecipou-se e disse:

- Fique tranqüila querida, eu estou te obedecendo. O fato de eu estar aqui com essa anã prova que eu estou parando aos poucos...

Contada por Vitor Rodrigues Ruiz

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