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Usuários aprovam certificação enquanto os empresários aguardam definições

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Freqüentadores e proprietários de academias ouvidos pela reportagem mostraram-se interessados em saber mais sobre o projeto que institui o Padrão Nacional de Qualidade em Atividade Física (Pnaf). Eles consideram importante a padronização, mas lembram que ainda é cedo para afirmar que a iniciativa será benéfica para todos.

O presidente da Associação Brasileira de Academias, Ricardo Abreu, que representa os proprietários deste tipo de estabelecimento, defende que toda iniciativa para melhorar a qualidade dos serviços oferecidos é bem-vinda. Sua única preocupação é com a forma como os critérios serão estabelecidos.

“Até agora a associação não foi contactada para discutir o assunto e tenho receio de que eles criem normas muito subjetivas. Esses critérios podem ser definidos por pessoas que não conhecem profundamente o assunto e elas podem estabelecer regras que não condizam com o que o mercado entende como importante numa academia. Gostaríamos de poder opinar e fazer valer nossa visão”, pondera.

Em Bauru, proprietários e professores de academias receberam bem a notícia. “Acho que será muito interessante para diferenciar os estabelecimentos. Só vai ser ruim para academias que não estiverem de acordo com os parâmetros. Além de dono de academia, sou fisioterapeuta e já atendi muitas pessoas com lesões. Acho que isso pode diminuir bastante com essa iniciativa”, afirma Alex Augusto Vendramini.

O professor Luigi Marino Neto também aprova. “Esse é um mercado que tem crescido demais. Acho que essa qualificação vai ser muito interessante, pois vai obrigar as academias a serem mais exigentes com a forma como tratam seus clientes”, opina.

De acordo com o professor do Departamento de Educação Física da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, Milton Vieira do Prado Júnior, a única ressalva é que esses critérios sejam amplamente discutidos antes da definição final.

Cristérios

“Inclusive dentro das universidades e com donos de academias, porque os conceitos são diferentes. Um dos aspectos que deverá ser avaliado, por exemplo, é a relação número de alunos/professor. Quando se fala em qualidade, essa é uma variável importante. Porém, para donos de academias, uma relação de qualidade pode significa menos lucro”, adverte.

Ele acrescenta que é preciso cuidar para que esse padrão não valorize quantidade ou sofisticação. “Porque você pode ter uma academia enorme, com os equipamentos mais modernos e uma aula de natação mediana. E pode ter uma academia pequena, mais simples, mas especializada em natação”, compara.

Na opinião dos alunos, a certificação facilitará a escolha do estabelecimento. “Já tive problemas com academias em que você chama o professor e ele nunca vem. Nisso, você pode estar fazendo um movimento errado e sofrer uma lesão”, comenta o estudante de Educação Física Fernando Vieira Sá.

“Acho muito bom, porque atividade física tem a ver com saúde. Um condicionamento físico melhor aumenta seus anos de vida. Acho superpositivo”, avalia a estudante de direito Olívia Eulália Cenche.

Para o engenheiro civil Richard Neme, além de estabelecer parâmetros de qualidade, o Pnaf deveria estabelecer níveis de qualificação. “Como um hotel, que você sabe se é melhor ou pior pelo número de estrelas. Isso seria bom, inclusive, para as academias, que poderiam cobrar mais ou menos por isso”, sugere.

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