Tribuna do Leitor

Indulto - a imoralidade continua


| Tempo de leitura: 3 min

“Honestidade paga a pena, mas o pagamento é insuficiente para processar algumas pessoas” (Kin Hubbard)

Com a passagem do dia consagrado aos pais, volta à tona a aberração do inominável indulto concedido aos bandidos em todo Estado de São Paulo. São milhares de criminosos que voltam as ruas e embora as estatísticas não sejam conhecidas, um número razoável fica livre para rever parceiros, consumir drogas, praticar delitos e aterrorizar a sofrida sociedade que trabalha e vive honestamente e nada tem a ver com decisões dúbias que envolvem preceitos que deveriam ser repensados urgentemente.

Temos uma criminalidade crescente em nosso país e em todos os feriados voltam às ruas bandidos cuja administração carcerária do Estado diz, terem bom comportamento. Mas ficam no ar as seguintes questões:

O sujeito tem que ter bom comportamento antes de cometer crimes contra a sociedade, depois é problema dele e não da mesma sociedade;

Antigamente, aceitava-se o indulto apenas e tão somente no natal, hoje nossos administradores estenderam essa excrescência para o Dia das Mães, Dia dos Pais. Dia das Crianças e assim por diante. Logo, teremos o indulto do Dia das Eleições, o que seria até interessante, pois bandidos teriam a chance de votar em ...

Que países do primeiro mundo adotam essa prática do indulto?

Que países do mundo civilizado tratam os criminosos melhor que os aposentados, os idosos, as crianças e demais segmentos da sua sociedade?

Precisamos acabar com esse absurdo de colocar nas ruas pessoas que nunca se preocuparam em ficarem livres antes de serem processados por crimes de toda natureza contra a sociedade. Além do que nossos presidiários já possuem acesso a celular, televisão, jornais e revistas, visitas íntimas, o que nos passa a impressão que a vida lá dentro dos presídios é mais cheia de emoções e prazer do que aqui fora onde a insegurança é plena e o desemprego total.

Fica no ar a dúvida sobre a quem interessa tanto a manutenção desses indultos, se aos presidiários ou se a terceiros que de forma direta ou indireta possam estar levando algum tipo de vantagem com a saída desse enorme contigente às ruas. Bobagem? Impossível?, lembremos que até outro dia um certo publicitário careca era apenas um empresário emergente que circulava livremente por Bancos, Autarquias, Palácios livremente e com acesso a tudo e a todos. Coisa que os cidadãos comuns não podem fazê-lo, aliás você já experimentou tirar um empréstimo num Banco? Vá ao Banco Rural ou ao BMG ver se lhe trataram da mesma forma que o faziam com os envolvidos nesse mar de lama que assola Brasília.

Indulto pode ser legal, ter amparo da mesma justiça que solta criminosos com apenas 1/3 das penas cumpridas, que concedem Habeas Corpus até para seqüestradores e traficantes de altíssima periculosidade, que permitem que Suzanne Richitoffen volte para casa e possa desfrutar de liberdade mesmo tendo planejado o assassinato de seus pais, mas mesmo assim é imoral e deve ser combatido. Essas coisas tipicamente brasileiras deveriam ser submetidas a um referendo popular, pois com certeza seriam banidas pelo povo com esmagadora maioria.

Rafael Moia Filho

Comentários

Comentários