Articulistas

Como o Brasil sairá dessa?


| Tempo de leitura: 3 min

O Brasil entrou numa grande crise política, moral e de governança. Há uma enorme expectativa sobre o que vai acontecer, com alguma esperança e muita descrença. Vamos ver a lição que Jack Welch , ex-presidente da GE, vem dando aos dirigentes das grandes corporações, para a gestão de crises, imaginando o Brasil como se fosse uma dessas grandes organizações. São cinco pressupostos:

“Primeiro, presuma que o problema é pior do que parece. Não raro os gestores perdem muito tempo no início da crise, negando a própria crise. Não deixe que isso aconteça. Pule a fase de negação e assuma a atitude mental certa, convencendo-se de que o problema será mais sério, mais confuso e mais assustador do que o pior dos pesadelos.

“Segundo, presuma que não há segredos no mundo e que todos acabarão descobrindo tudo. Uma das tendências mais comuns no vórtice da crise é o encobrimento, a tentativa desesperada dos gerentes de estancar o fluxo de informações. É muito melhor adiantar-se ao problema, expondo seu verdadeiro escopo, antes que alguém o faça em seu lugar.

“Terceiro, presuma que a maneira como você e a organização lidam com a crise será exposta da pior maneira possível. Não é função da mídia fazer com que você e a organização desfrutem de boa imagem perante o público durante a crise. E sem dúvida a mídia não agirá assim. A própria organização já pode ser um público bastante duro nas épocas de crise. Em ambos os casos, a implicação é a mesma: defina sua própria posição logo de início e a repita com freqüência.

“Quarto, presuma que haverá mudanças nos processos e nas pessoas. Quase nenhuma crise termina sem sangue no chão. As verdadeiras crises não se desfazem aos poucos. Elas exigem soluções que reformulam os processos vigentes ou induzem novos processos e, com a mesma freqüência, revertem vidas e carreiras.

“Quinto, presuma que sua organização acabará sobrevivendo aos acontecimentos com ainda mais vigor. Sempre aprendemos alguma coisa com cada crise, transformando-nos em organização mais inteligente e mais eficaz. A visão de longo prazo pode tornar a vida naquele inferno um pouco mais suportável.”

Os três primeiros pressupostos já aconteceram. O problema da corrupção é maior do que se supunha. Uma simples denúncia de propina de três mil reais transformou-se no maior escândalo de corrupção já divulgado. A tentativa de encobrir, com negações, com sabotagens e com as mentiras nos depoimentos, não deu certo, tudo vem sendo desmentido e revelado. Terceiro, a coisa vem sendo divulgada da maneira mais indesejada pelo PT e pelo governo. A máscara de paladino da ética do PT está sendo arrancada. O quarto pressuposto também vem sendo confirmado, com as cabeças que estão rolando uma após outra. Resta a quinta e para nós a mais importante: qual a lição que políticos, governantes e o povo tirarão dessa crise? Esperamos que o Brasil e a democracia saiam fortalecidos e que as próximas eleições façam o saneamento necessário. Quem sabe se o mal de hoje venha a ser o bem de amanhã.

O autor, Pedro Grava Zanotelli, é consultor e ex-presidente da Ordem dos Velhos Jornalistas de Bauru

Comentários

Comentários