Exames de sangue e fezes aos quais 150 dos 450 alunos da escola estadual Major Fraga, no distrito de Tibiriçá, foram submetidos revelam que 10% deles estão com vermes e 7% com anemia. Apesar de considerar normal a incidência de vermes, o pediatra Eli Roberto Garcia Filho, que trabalha no núcleo de saúde do distrito, alerta para o risco à saúde dos estudantes e o reflexo no desempenho escolar.
A verminose intensa provoca quadro de desnutrição enquanto a anemia afeta o desenvolvimento da criança, que passa a ter baixo ganho de peso e baixa estatura, explica o médico. A anemia, frisa ele, pode ser proveniente da presença de vermes. Dos alunos avaliados, um deles apresentou quadro de verminose e anemia simultaneamente.
A falta de higiene é o principal fator responsável pela alta presença de vermes no organismo. E o fato de Tibiriçá estar localizado na zona rural, comenta o médico, facilita a propagação dos vermes. Ele cita como fonte de contaminação de vermes o consumo de água de poço não fervida. Garcia Filho aponta a necessidade de cuidado redobrado na lavagem de alimentos para eliminar a infestação por vermes.
A maioria dos alunos submetidos ao exame é adolescentes. Os casos de verminose e anemia diagnosticados vão ser tratados com medicamentos disponibilizados no núcleo de saúde do distrito. Contra a anemia, Garcia Filho está adotando o sulfato ferroso. O medicamento é potencializado com o reforço no consumo de carnes e verduras de cores escuras. “Se possível, o paciente deve beber suco de laranja ou limão, que aumenta a absorção do ferro”, indica.
A enfermeira do núcleo de saúde de Tibiriçá, Aparecida Toth Lopes da Silva, explica que a parceria da escola com a unidade de saúde foi solicitada pelos pais dos alunos devido à grande porcentagem de crianças da zona rural. Ela explica que a verminose, além da perda de apetite, estimula comportamento adverso. “Em alguns tipos de verminose, a criança come terra e tijolo porque tem uma carência nutricional. Isso porque o verme se sustenta com a parte boa da alimentação”, salienta.
A funcionária pública Elaine Rodrigues de Almeida conta que, mesmo submetendo a exames periódicos os filhos Eugênio e Giovana, estudantes da Major Fraga não dispensou as avaliações médicas feitas na escola.
Os resultados dos exames dos dois indicaram normalidade, mas Elaine se mostra preocupada. “Acho que esse exame tinha que ser feito a cada seis meses. Não é trabalhoso. Devia ser feito em todas as escolas, inclusive particulares”, recomenda. Ela vê risco mesmo com o máximo de cuidados na higiene de legumes, verduras e procedência de carnes. “Sempre passa alguma coisa”, explica.