O empreendedorismo de algumas pessoas tem o poder de criar pequenas, médias e até grandes corporações empresariais que são administradas por várias gerações de uma determinada família. Entretanto, o empresário Jorge Nishimura, presidente do Conselho Administrativo do Grupo Jacto, ressalta que há uma distância muito grande entre empresa familiar e empreendedorismo, pois não há um modelo que seja perpétuo.
“Não dá para repetir a experiência do fundador (da empresa) ao longo do tempo. Temos que entender que cada fase exige uma estrutura, uma mentalidade, uma forma de operação diferenciada”, aconselha. Segundo ele, é necessário superar a fase de empreendedorismo para chegar no conceito de família empresária. Nishimura esteve ontem em Bauru ministrando palestra sobre o tema. Promovido pelo Ciesp, o evento teve a renda revertida ao Esquadrão da Vida.
Dentro do cenário corporativo, o palestrante e empresário destaca a importância das empresas administradas por famílias, que atualmente representam mais de 70% das firmas brasileiras. Com participação tão significativa, o sucesso dos negócios familiares, segundo Nishimura, está relacionado à capacidade de transformação das pessoas envolvidas no processo. “A família tem que mudar sua performance e passar a ser uma família empresária. São estágios da vida.”
O empreendedor típico é definido como alguém que enxerga oportunidades e aceita desafios. Começar uma carreira de sucesso ouvindo os ensinamentos do pai e de outros parentes, pode ser uma vantagem a mais para o empreendedor. O comerciante William Abo Arrage conta que, com o pai e os tios, aprendeu como se tornar um empreendedor de sucesso. Da convivência, ele herdou a paixão pelos negócios da família.
Num determinado momento da sua vida, Arrage foi submetido a um duro teste de competência que poderia selar o fim da carreira de um promissor empresário: teve que se adaptar a uma necessária mudança de foco dos negócios familiares, passando do segmento de tecidos para o setor elétrico/iluminação.
“Foi uma grande transformação. Eu mexia com moda, que é uma compra por impulso. Já no setor elétrico a compra é racional, pois o cliente busca resultados”, avalia. Atualmente, o empresário entende que seu principal desafio é a busca por excelência em qualidade, voltada para melhorias técnicas e novos produtos.
Atualmente, William administra a empresa ao lado da irmã Selma, dando continuidade à tradição dos Abo Arrage em Bauru. Depois do tecido, a família também se transformou em referência no comércio de luminárias e outros artigos elétricos, setor em que atua há 25 anos.
Ele conta que o sucesso empresarial na família começou há cerca de 70 anos com o avô, João Abo Arrage, no ramo de tecidos. Depois, ocorreu a diversificação com investimentos no segmento de decoração, com materiais para forro de parede, cortinas e tapetes.
William e Selma são a terceira geração dos Abo Arrage na administração do negócio familiar. “A gente sempre tem que matar um leão por dia aqui. Isso é inevitável. Não dá para fingir que não existem problemas, mas todos têm que ser superados”, ensina.
Para Jorge Nishimura, o empreendedor “é alguém que pensa diferente, tem muita coragem e paga o preço. São pessoas extraordinárias, que têm reações diferentes e que conseguem ficar um pouco fora da média do restante das pessoas”, define.
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Governança corporativa
O empresário Jorge Nishimura ressalta que as empresas de ponta têm adotado com freqüência cada vez maior o conceito de governança corporativa para perpetuar os negócios. Na maioria das empresas familiares ainda impera a centralização das decisões. Porém, segundo Nishimura, o avanço inevitável rumo à sobrevivência leva à transparência dos atos administrativos e à busca do consenso.
Segundo Nishimura, há uma série de estruturas que ajudam uma empresa a ser sólida. A governança corporativa garante, além da permanência da empresa por gerações, a proteção do patrimônio e a ampliação dos resultados.
O Grupo Jacto vive um momento crucial em sua história de 57 anos, com a terceira geração da família sendo preparada para assumir o controle empresarial.
A empresa surgiu em Pompéia (SP) com o pai de Nishimura, Shunji, que passou a administração para a segunda geração formada por cinco filhos. Juntos, eles comandam o grupo há mais de 25 anos. O empresário explica que toda transição é muito complexa. “Momentos de transição são os de maior risco para a subsistência da empresa”, afirma.
As empresas do Grupo Jacto produzem máquinas agrícolas, plásticos para o setor automotivo e sistemas de tratamento de esgoto, entre outros setores de atuação.