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Apresentadora de Garça se defende de denúncias envolvendo a Volks alemã

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 5 min

Garça - A apresentadora de TV Adryanna Barros, 41 anos, de Garça (80 quilômetros de Bauru), está sendo apontada como um dos pivôs no escândalo que derrubou pelo menos dois executivos da Volkswagen, na Alemanha.

Em entrevista ao Jornal da Cidade, ela admite ter tido um relacionamento amoroso com Klaus Volkert, ex-chefe do conselho de fábrica e ex-presidente mundial de recursos humanos da Volks. No entanto, a apresentadora nega que tenha sido beneficiada indevidamente com contrato de publicidade com a empresa, por influência de Volkert.

De acordo com denúncias veiculadas na imprensa alemã, Adryanna teria sido favorecida financeiramente por causa de sua relação amorosa com o ex-presidente de recursos humanos da Volks. A relação entre os dois está sendo investigada por auditores internos e externos da empresa.

Uma revista semanal da Alemanha revela que, entre outros benefícios, a Volks teria financiado a compra de uma moradia no Brasil para Adryanna, além de viagens para aquele país em vôos de primeira classe. Tudo pago pela montadora.

“Eu conheci o Klaus há sete anos. Realmente, tive um relacionamento com ele. Quando o conheci, fiquei encantada com a pessoa que ele é”, conta a apresentadora, ressaltando o “lado humano” de Vol-kert. “Acho que o amor é baseado em admiração”, completa ela.

Adryanna relata que em 1998, quando conheceu o executivo, ela trabalhava em uma emissora de TV a cabo em Marília. Assim que conseguiu se transferir para o SBT, ela entrou em contato com Volkert na tentativa de conseguir patrocínio da Volks para seu programa.

“Não foi fácil (conseguir o patrocínio) como as pessoas falam. Porque não é a Volkswagen que cuida disso, mas uma agência, que é muito severa.” Ela conta que isso aconteceu dois anos depois de ter conhecido Volkert. “Demorou seis meses para eu conseguir esse patrocínio”, relembra.

Atualmente, o programa comandado por ela e que leva seu nome é transmitido pela Rede TV, aos domingos, às 10h30. A Volks do Brasil mantém uma cota de patrocínio no valor de R$ 30 mil por mês.

Além desse patrocínio, Adryanna conseguiu ainda um contrato para filmar um projeto desenvolvido pela Volks na Europa de apoio às crianças carentes. Foram 40 dias de viagem e, durante as horas de folga, ela aproveitou para gravar imagens para seu programa no Brasil.

“Meu contrato (com a empresa) acabou muito tempo antes dessa história começar. E o patrocínio da Volkswagen do Brasil cobre 40% de uma cota minha. Então, é muito diferente da história que as pessoas estão tentando contar”, defende-se.

Influência discreta

A apresentadora diz que Volkert teve influência na hora de viabilizar o patrocínio da empresa no Brasil, mas isso teria ocorrido de forma muito discreta. “O Klaus pediu apenas para eles (funcionários) me receberem. Eu acredito que fui muito bem-recebida por ter sido indicada por um presidente de recursos humanos. Eu não tenho a menor dúvida quanto a isso. Mas o mundo é feito de contatos”, revela. “Se o meu trabalho não fosse bom, eu duvido que a agência deixasse (a Volks) colocar (o patrocínio)”, completa Adryanna.

Ela conta que conheceu Volkert em um evento da Volkswagen na Europa. “Eu não conheço só ele. Eu conheço muita gente da Volkswagen. Tanto do Brasil quanto da Alemanha.”

Mesmo após descobrir que Volkert era casado, Adryanna manteve o relacionamento, que durou sete anos. Depois que as denúncias vieram à tona, a apresentadora declara que não teve mais nenhum contato com o ex-executivo da Volks.

“Nós tivemos um relacionamento de muito respeito. Eu soube que ele era casado, mas quem tem de saber da vida dele é ele e não eu”, disse. Volkert trabalhou 25 anos na Volks alemã, antes de pedir demissão por causa das denúncias.

Além dele, estão sendo investigados um ex-diretor da montadora, acusado de transferir dinheiro da Volks para empresas controladas indiretamente por ele e também para contas particulares.

Toda a confusão teria começado quando o ex-diretor e um ex-secretário dele foram acusados de desvio de dinheiro da empresa e, diante disso, teriam apontado Volkert como um dos responsáveis pelas irregularidades. “Não sei se foi por vingança que eles fizeram isso. Só sei que envolveram meu nome com essa história de que tudo que ele (Volkert) fazia era por minha causa”, comenta Adryanna. “Se isso fosse verdade, eu não estaria ralando no meu trabalho, mas em algum hotel lixando a unha na beira da piscina ou coisa semelhante”, argumenta.

Quanto às viagens e diárias em hotéis cinco estrelas pagas pela Volks alemã, a apresentadora confirma os benefícios. “Todo mundo que trabalha para a Volkswagen viaja e se hospeda em hotel pago pela empresa”, afirma ela, para dizer, em seguida, que, além do projeto envolvendo crianças carentes, desenvolveu outros trabalhos para a empresa. As despesas sempre foram cobertas pela Volks.

Adryanna já foi ouvida pelos auditores que investigam as denúncias de desvio de dinheiro.

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Contrato mantido

A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da Volkswagen no Brasil, mas foi informada que as investigações sobre o escândalo estão concentradas na Alemanha. Por isso, a filial brasileira não sabe de nada que está sendo apurado.

Segundo a apresentadora Adryanna Barros, depois de se ver envolvida nesse escândalo, sua principal preocupação é em manter o patrocínio da Volks do Brasil para seu programa de TV.

De acordo com a assessoria da montadora, por enquanto, não há interesse da empresa em cortar o patrocínio. Segundo a assessoria, é uma estratégia da Volkswagen investir em programas de rádio e TV que estimulam o espírito de aventura. Como o programa de Adryanna trata de turismo, a empresa deverá continuar com o investimento.

O programa da Rede TV não é o único patrocinado pela Volks. De acordo com a assessoria, ele faz parte de um pacote com outros nove que também tratam de aventura.

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