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20% da frota da prefeitura é sucata

Por Ieda Rodrigues | Com Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Dos 325 veículos da Prefeitura de Bauru, 20% (65) só servem para sucata, aponta estudo realizado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Dos 260 carros, caminhões, ônibus, máquinas e motos que estão em condições de uso, 66% precisam de algum tipo de reparo e 14% estão em bom estado de conservação, completa o relatório de oito volumes que foi entregue ao prefeito Tuga Angerami (PDT) ontem pelo diretor do Senai, Reinaldo Munhoz.

O diagnóstico foi pedido pelo prefeito em junho com o objetivo de estabelecer um plano de ação para gestão e manutenção da frota. O Senai fez o estudo sem custos para o município. O projeto apresentado pelo Senai prevê, para futuramente, programa de capacitação dos servidores para melhor utilização e conservação dos veículos e, numa terceira etapa, a implantação de uma matriz gerencial da frota.

A idade da frota é um dos problemas verificados pelo Senai: apenas 28% dos veículos têm menos de 5 anos e há alguns com até 37 anos, o que encarece a manutenção. “A manutenção constante causa dois prejuízos: custo maior e paralisação dos serviços quando o maquinário entra em manutenção ”, ressalta Paulo Sérgio Canalli, chefe de Gabinete do prefeito.

Com o diagnóstico do Senai, não há outra alternativa a não ser vender para o ferro-velho os veículos que o Senai apontou estarem sucateados, segundo Canalli. Mas antes, frisa, serão retiradas todas as peças ainda em condições de uso, para serem colocadas em outros veículos.

Por enquanto, por conta da dificuldade financeira da prefeitura, de acordo com Canalli não há previsão para fazer revisão na frota. O secretário de Obras, Leandro Joaquim, explica que é considerada sucata o veículo ou maquinário cujo conserto custa mais que 60% de seu valor. “É um custo/benefício caro, que não compensa”, frisa.

Mas Joaquim lembra que a situação do maquinário de sua secretaria já foi pior. “No início do ano, estávamos com 70% da frota parada. Agora conseguimos inverter isso: 70% dos veículos estão funcionando e 30% estão quebrados. E destes, mais da metade já foi licitado para arrumar”, comenta.

Entre os 30% está uma escavadeira, cujo conserto foi estimado em R$ 40 mil, de acordo com Joaquim. “Uma máquina nova deste tipo custa R$ 300 mil. A nossa é usada, ano 92/93, mas pelo serviço que ela nos presta, vale a pena recuperar”, argumenta.

Quando determinada máquina da Secretaria de Obras quebra e o serviço é urgente, uma alternativa é tomar emprestado maquinário do Departamento de Água e Esgoto (DAE) e do Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo (DAEE) ou fazer locação na iniciativa privada. “O próximo passo é saber o custo/benefício da locação e da compra de veículos, ver o que compensa mais, e estudar como vamos repor a frota sucateada”, completa o secretário de obras.

Acostumado com a quebra de maquinário, Nélson Fio, titular da Secretaria das Administrações Regionais (Sear), conta que o sucateamento da frota dificulta o desenvolvimento do trabalho. “Se um caminhão quebra, temos que mandar uma perua para buscar o pessoal e aquele serviço pára”, lembra.

A Sear, responsável pela manutenção da cidade, como a operação tapa-buracos, terraplanagem e pintura de guias e sarjetas, têm vários veículos com mais de 20 anos. “Temos veículos da primeira gestão do Tuga”, comenta Fio.

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Diversidade de marcas

Outro problema da frota da prefeitura diagnosticado pelo Senai é a diversidade de marcas. A frota é constituída por 20 marcas diferentes, o que torna o custo de manutenção elevado. Para melhorar a qualidade no sistema de manutenção da frota, os técnicos avaliam que seja necessário o acompanhamento diferenciado para cada veículo, considerando também as diferentes atividades a que todos são submetidos.

Os problemas detectados na pesquisa são, basicamente, com motor, caixa de câmbio, freio, suspensão, direção, rolamento, chassi, elétrica, eletrônica, funilaria, pintura e hidráulica.

Para cada item apontado, o diagnóstico revela o número de carros com os problemas e qual o motivo mais provável da depreciação dos sistemas. Em muitos, a falta de manutenção preventiva, de conhecimento técnico e comprometimento do operador são apontados como agravantes.

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