Regional

Calçado estimula atividades na região

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

O pólo regional de Jaú abrange cerca de dez municípios. Para evitar a migração de desempregados dessas cidades para Jaú, os empresários calçadistas criaram as bancas de serviços nos municípios vizinhos.

A posição estratégica no Centro do Estado é um dos vários fatores que levaram o município a conquistar o título. É nele que estão instalados escritórios regionais de importantes entidades públicas como a Fiesp/Ciesp, além de bancos, redes de comunicações e sedes de importantes empresas privadas.

Ao descobrir sua vocação e tornar-se um centro de excelência na indústria de calçados femininos, Jaú correu o risco de sofrer uma ‘enchente’ de desempregados de toda a região. Mas a estratégia usada pelos empresários transformou aquilo que poderia ser negativo em desenvolvimento regional.

Ao invés de trazer o trabalhador para Jaú, o que poderia prejudicar os serviços públicos essenciais, as indústrias de calçados passaram a criar bancas de serviços na micro região. A vantagem do esquema é que o trabalhador continua em sua cidade e tem o serviço oferecido pela empresa calçadista.

Na opinião do prefeito João Sanzovo Neto, a estratégia está levando desenvolvimento a outras cidades. “Estamos usando a mão-de-obra de outras cidades. O serviço vai até eles. As indústrias de calçados têm levado os serviços de pesponto, corte e costura para essas bancas.”

O presidente Sindicato das Indústrias de Calçados de Jaú, Caetano Bianco Neto, acredita que vá acontecer em Jaú o que ocorreu na região de Novo Hamburgo/Rio Grande do Sul. “É um ciclo normal. Antigamente, só em Novo Hamburgo se fabricava calçados. A atividade se expandiu e hoje temos o Vale dos Sinos todo tomado de indústrias calçadistas. Eu acredito que esse fenômeno vai acontecer aqui também.”

Ele frisa que atualmente, nas fábricas de Jaú há funcionários da micro região. “De Bocaina, Mineiros do Tietê, Itapuí, Bariri, Barra Bonita. Nessas cidades começam a ter uma atividade de pesponto por exemplo, que é uma das célula da indústria de calçado. Eu não tenho dúvidas que isso no futuro se transforme em outras fábricas. Acho que essa atividade que se restringe a Jaú, vai acabar se expandindo na micro região.”

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Salário

A indústria calçadista gera seis mil empregos diretos e cerca de cinco mil entre indiretos e terceirizados na cidade de Jaú. O setor é um dos que mais têm crescido não só em nível municipal, mas no Estado de São Paulo e no Brasil, diz o representante do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria do Calçado de Jaú, José Ferreira.

De acordo com ele, nos últimos três anos o número de empregados com carteira assinada pulou de quatro para seis mil, segundo levantamento do Ministério do Trabalho. “ Uma avaliação do Ministério do Trabalho constatou que neste ano, de janeiro a maio, houve um crescimento de 56% no número de empregados registrados.”

Porém, o crescimento das empresas não significa melhores salários para a categoria. “Há três anos as empresas exportadoras não passavam de quatro, hoje são quase 40. Porém, o salário dos trabalhadores não acompanhou esta evolução”, lamenta o sindicalista.

Estamos na data base da categoria e reivindicamos 10% de aumento, sendo 6,28% de reposição e o restante de aumento real.”

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