Regional

Setor calçadista quer unir empresários

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Depois de ter conquistado o título de “Capital do Calçado Feminino”, Jaú quer profissionalizar e unir os empresários do setor. Esta é a bandeira do Sindicato das Indústrias de Calçados de Jaú, explica o presidente da entidade, Caetano Bianco Neto. “Nosso desafio é trabalhar para a união da nossa classe. Hoje temos um trabalho muito grande com relação a melhoria na gestão das indústrias.”

Ele lembra que o trabalho é árduo. “As empresas são familiares ou geradas em outras. Queremos trabalhar coletivamente, uma parceira da outra. Fazendo compras juntas, tipo uma cooperativa, o que seria lucrativo para todas.”

O primeiro passo em direção da profissionalização está sendo dado, garante o sindicalista. “Estamos profissionalizando o sindicato primeiro. A capacitação dos funcionários está sendo feita pelas escolas profissionalizantes. A novidade é o curso de MBI que será desenvolvido na cidade. O curso é direcionado aos funcionários administrativos e aos empresários do setor.”

Otimista com o setor, Bianco diz que nos últimos três anos o número de indústrias de sapatos femininos cresceu. “O crescimento tem relação com projetos e programas que estamos colocando em prática e com a economia nacional, que no ano passado teve um crescimento de quase 5% do PIB, nós acompanhamos esta fase toda. Há três anos tínhamos 150 empresas. Hoje, temos 230.”

O crescimento tem relação com os programas desenvolvidos juntos com algumas entidades da cidade. “Entidades que estão junto conosco nessa empreitada e nos ajudam no desenvolvimento do nosso Arranjo produtivo local. Temos diversos programas. Eu diria que chegou a hora da gente começar a colher estes frutos.”

A escola Senai, exemplifica o presidente, é um grande parceiro. “Este ano a gente fecha o ciclo com relação a capacitação dos funcionários. Provavelmente no início do próximo ano deve começar a funcionar o curso de técnico do calçado no Senai, o curso de tecnólogo do calçado na Fatec do Instituto Paula Souza, e também um curso de MBI em calçados na Faculdades Integradas de Jaú.”

Na opinião dele, concentrar a economia no calçado não é o ideal. “Investir toda a economia no calçado não é o ideal. Seria melhor se fosse diversificado. Em Jaú não tem grandes empresas. Temos médias e micros. Se eventualmente tivermos problemas isso não vai afetar a economia como um todo.”

Para evitar que sofra com problemas que afetem a economia nacional, o setor calçadista tenta desbravar novos mercados. “Estamos preocupados com a colocação dos nossos produtos para que não fique restrito ao mercado interno, ou a poucos centros. Temos investido bastante na exportação.”

Segundo Neto, as exportações foram diversificadas. “Exportamos para a Argentina, México, Chile aumentamos muito as exportações para a Europa nos últimos três anos. Atendemos a Espanha Portugal, Itália, Grécia, Israel e Oriente médio.”

A conquista desses novos mercados além de livrar as empresas da sazonalidade, gerou qualidade dos produtos. “As empresas tiveram que melhorar seus produtos para poder exportar. Os mercados externos são muito exigentes.”

Para este ano, a previsão não é de crescimento nas exportações, segundo o presidente do sindicato. “Por causa da defasagem cambial. Isso afetou bastante as nossas exportações e fechamento de novos contratos.”

Ele diz que o setor tem esperança de superar. “Aparentemente as coisas estão se acomodando. Estamos tentando agregar mais valor aos produtos, não estamos refém da defasagem cambial.”

Diminuindo custos

Fazer compras coletivas e ter a cadeia produtiva próxima do setor são fatores que na opinião de Bianco Neto podem representar diminuição de custos. “Mais importante que isso é que o nosso fornecedor esta do lado é com ele podemos desenvolver parcerias e agrega valor ao produto.”

O destaque, para ele, fica por conta do setor de cartonagens. “Eles começaram fazendo parte da cadeia produtiva do calçado e ganharam o Brasil. Temos um pólo de cartonagens em Jaú. Um negócio que começou junto com o calçado e hoje está andando sozinho. Fora isso temos curtume e fabricantes de vários componentes.”

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