Ser

Artesãs por hobby

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 3 min

Lãs, linhas, agulhas, miçangas e muita criatividade no movimento das mãos descrevem o trabalho das artesãs por hobby, atividade cada vez mais desenvolvida em Bauru e região.

Estimulado pela onda da customização, cuja principal característica é reformar e dar um toque pessoal às roupas e acessórios, o artesanato é, atualmente, uma das principais atividades de lazer das mulheres, em especial daquelas acima de 50 anos. Prova disso é o aumento da procura por cursos do gênero e pela comercialização de matérias-primas para a realização dos trabalhos.

“As pessoas não querem mais comprar pronto, buscam aprender a fazer”, diz Milene Cristina Santim, professora do curso de artes manuais de uma loja de armarinhos no Centro da cidade. Segundo ela, entre as preferências do público se destacam os tradicionais tricô e crochê, além do tear, ponto-russo e pintura em seda e tecido.

A aposentada Ana Maria Granado Santos é uma das alunas assíduas do curso. Praticante de tricô, bordado e outras artes manuais há cerca de dez anos, ela conta que decidiu aprender novas técnicas por meio de aulas semanais. “Eu compro as revistas e não sei interpretar todos gráficos. Então resolvi me aperfeiçoar”, diz, atenta, enquanto terminava uma carreira de pontos de um tricô amarelo.

“Escolhi essa cor porque o amarelo levanta o alto-astral e sei que é bom para evitar a depressão”, aponta Ana Maria.

Embora não seja considerado arteterapia - forma terapêutica utilizada por profissionais da área da saúde no caso de depressão, estresse, transtornos de ansiedade ou humor, entre outros - o artesanato é uma atividade que pode aliviar as preocupações do dia-a-dia, proporcionando prazer e relaxamento, explica a terapeuta ocupacional e professora do curso de terapia ocupacional (T.O) (leia mais no quadro abaixo) da Universidade do Sagrado Coração (USC) Isabela Lucci.

“Qualquer pessoa que tenha habilidades ou interesse pode desenvolver atividades artesanais. Isso pode ser um hobby, aliviar as tensões ou uma forma de lazer, mas não é terapia”, ressalta. “Desenvolver uma atividade artesanal é prazerosa porque enquanto se está fazendo o curso se está em contato com outras pessoas”, complementa.

De acordo com Isabela, a convivência é um dos pontos altos da prático do artesanto como hobby. “Às vezes ela é uma pessoa produtiva e que tem vários relacionamentos no trabalho. De repente ela se aposenta, não tem mais atividade dentro de casa, fica sozinha o dia inteiro, e pode desenvolver uma tristeza, que pode se tornar uma depressão futuramente. Nesse sentido, as artes manuais e plásticas são válidas porque são formas da pessoa se sentir útil, criar e estimular suas habilidades”, explica.

É o caso da aposentada Celina Honorato e da dona de casa Aparecida Zago Parreira. Colegas do curso de tear de touca, elas não escondem a empolgação ao falar sobre seus trabalhos. “É uma atividade que aprendemos desde criança, na escola. Se a pessoa estiver estressada, recomendo que ela faça tricô ou crochê. Enquanto conta os pontos, não pensa nos problemas”, diz Celina. “A cabeça fica ocupada e a mente concentrada”, acrescenta Aparecida, durante uma de suas mais recentes produções: uma touca de lã em tons pastéis.

____________________

O que é

Tradicionalmente da área da saúde, a Terapia Ocupacional (TO) é uma profissão atualmente inserida nos setores educacional, social, assistencial e industrial. Baseia-se no universo das atividades humanas para desenvolver e oferecer atendimento adequado a indivíduos ou grupos que tenham necessidade desse profissional, objetivando a melhoria de qualidade de vida em geral.

O terapeuta ocupacional pode exercer atividades em áreas e instituições variadas. Na área de saúde, atua em hospitais, centros de saúde, ambulatórios e clínicas particulares, juntamente com a pediatria, psiquiatria, neurologia, reumatologia e ortopedia.

Além disso, o profissional pode participar de equipes multidisciplinares visando um amplo atendimento do indivíduo. Atua ainda nas áreas educacional (escolas especiais e centros educacionais), assistencial (orfanatos e asilos) industrial e outras.

Da Redação

Comentários

Comentários