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CPI da ‘Menssalina’


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Depois da CPI do Mensalão, segundo notícias de Brasília, pode acontecer uma devassa investigatória ainda mais terrível: a CPI da “Menssalina”. A cadernetinha de endereços, telefones fixos e de celulares da cafetina Jeanny Mary Corner, dizem, é capaz de derrubar a República. Essa senhora dedica-se, profissionalmente, a agenciar “acompanhantes” para pessoas com capacidade de pagar até R$ 35 mil por algumas horas de “assessoria”. O que as suas escort-girls, como são chamadas lá nos States, e seus clientes fazem de repente, se pinta um clima, “não é da minha conta” - diz a famosa. Provavelmente seja da nossa, da sua, da minha conta. O dinheiro sai da propina que, em última análise, deveria ser recurso aplicado em favor do povo. Corner quer US$ 2 milhões pela cadernetinha para compensar os lucros cessantes que advirão dessa revelação. Segundo confidências das mais belas garotas prestadoras de serviços, é comum elas serem contratadas por grandes empresas que têm negócios com o governo, para serem oferecidas de presente a ministros de maior prestígio. O maior investimento já feito nessa área de entretenimento teria acontecido quando uma sedutora jovem, à época recém-saída do Big-Brother, foi servida na festa comemorativa da assinatura de um contrato-jumbo. Quando a festa estava no maior embalo, o bolo carregado por quatro garçons foi colocado na frente do convidado principal. De dentro do bolo sai uma garota, seios desnudos - tchan-tchan-tchan-tchan: “surprise!”

A nossa Eny dos anos 50-60 detestava ser chamada de cafetina. Recebeu em seu bordel famoso as mais eminentes figuras do governo, em todos os níveis. Jamais revelou um nome dos seus ilustres visitantes. Nem mesmo em conversas informais com os freqüentadores da casa. A mulher era um túmulo. E também não dava abertura para que qualquer um puxasse conversa. A única entrevista que deu em vida foi para este modesto repórter, com fotos de Luiz Teixeira. Assim mesmo, sem grandes revelações. Gostava mesmo de contar sobre os seus 20 filhos e 40 cachorros “pegos para criar”. Se dependesse dela, jamais sairia CPI alguma e por dinheiro nenhum.

A Jeany Mary Corner, a Messalina de Brasília, não tem essa postura ética. Quem sabe, por isso, tenha o herdado o nome da imperatriz romana libertina. Valéria Messalina (28 - 48 d.C.) era casada com Cláudio, o imperador coxo. Daí a palavra claudicante. A mulher, segundo a história, sofria de furor uterino. Mantinha uma centena de homens acordados para servi-la numa mesma noite. Fez do marido o maior corno da era romana declinante. Obrigou um dos amantes a armar uma insurreição para destronar Cláudio. O golpe falhou e ela foi executada junto com o trouxa que quis seguí-la na sua ambição. Messalina hoje é sinônimo de meretriz.

Na Capital da República, Distrito Federal, território delimitado e que deveria ser intocável por ser o palco das mais importantes decisões de interesse da Nação, há muitas jovens bonitas que se intitulam lobistas. Vem de lobby que, em inglês significa saguão de entrada. O do Congresso Nacional é enorme, todo atapetado de verde. Ali pululam as meninas pagas por grandes empresas para convencer deputados e senadores a votar a favor de projetos de interesse de grupos econômicos. Ou contra, se a matéria não agrada. Nos Estados Unidos os lobbies têm seu trabalho legitimado por leis regulatórias. Prestam até um bom serviço no esclarecimento de congressistas com argumentos válidos, honestos e precisos a respeito de matérias em discussão. Em Brasília, pela idade das moças, parece que os argumentos são de outra ordem. Talvez até mais convincentes.

Pobre Brasil entregue a corruptos e prostitutas. Até a nossa economia, antes blindada pela política neoliberal de Palocci, agora está indo para o brejo. A lama começa a bater no último bastião do governo Lula.

O autor, Zarcillo Barbosa, é jornalista e colaborador do JC

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