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Crediário pode esconder armadilhas

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

Parcelas a perder de vista, mas que se encaixam como uma luva no orçamento. É nessa situação que boa parte da população se baseia antes de efetuar compras de longo prazo no comércio. Atrativo, o crediário pode esconder verdadeiras armadilhas para quem não costuma prestar atenção nos juros embutidos nas prestações.

Para tentar alertar a população sobre excessos nas cobranças e orientar as pessoas sobre a melhor maneira de gastar o seu dinheiro, estudantes e professores dos cursos de economia e administração da Instituição Toledo de Ensino (ITE) montaram, no Calçadão da Batista de Carvalho, ontem, um posto de orientação sobre o assunto para oferecer consultoria gratuita.

“Falar em juros é uma coisa distante da população de maneira geral. A maior parte dos consumidores olha mais o valor da prestação e não a taxa de juros. Dependendo do crediário, num parcelamento de 12 vezes, quatro ou cinco parcelas são a título de juros. O sujeito acaba pagando 50% ou 60% a mais do valor do bem por falta de orientação”, explica o economista e professor Reinaldo Cafeo, um dos coordenadores da atividade.

Um dos agravantes dessa situação é que, na maioria das vezes, segundo Cafeo, o lojista não informa o valor da taxa de juros. O que acontece, portanto, é que muitos consumidores, na hora de comprar, apenas verificam se o valor da prestação se encaixa no orçamento pessoal e efetua a compra. O empresário, por sua vez, estica cada vez mais o prazo, mantendo o valor das parcelas.

Usar como base apenas o poder aquisitivo na hora da compra pode gerar prejuízos futuros. Isso porque, ao adquirir um bem à vista, além da vantagem de se pagar menos com relação ao crediário, ainda é possível reduzir o valor, negociando o preço com o lojista. Muitos aceitam fazer abatimentos diante da possibilidade de receber o valor da mercadoria em sua totalidade e na hora.

Mas até mesmo nas compras feitas dessa forma, o consumidor deve ficar alerta. Há estabelecimentos que aceitam dividir o preço à vista em duas, três parcelas, o que pode estar escondendo juros O economista orienta os consumidores a comparar o valor em estabelecimentos diferentes. Outra orientação é preferir compras com prazo mais curto, cuja tendência é ter taxas menores de juros.

Ou, ainda, economizar durante três ou quatro meses para dar uma entrada maior e, portanto, reduzir a quantidade de prestações.

“Compras com prazos muito elásticos e altas taxas de juros acabam também gerando inadimplência porque a pessoa está usufruindo de um bem que está pagando quase duas vezes mais. Isso leva a um desequilíbrio financeiro”, frisa Cafeo.

Prática

A moradora do Parque Santa Edwirges, Cleusa Alves Ferreira, desempregada, confessa que geralmente se atém apenas ao valor da parcela na hora comprar. “Eles nunca informam a taxa de juros. A gente sabe que o certo é comprar à vista, mas geralmente as condições (financeiras) não permitem isso. Então a gente compra a prazo, mesmo pagando mais por isso. É a maneira mais viável de pagar e é onde eles (empresários) aproveitam”, justifica.

Já Thiago Cardoso, promotor de vendas, garante que sempre faz o cálculo da taxa de juros antes de efetuar a compra. “Geralmente, uma compra de R$ 200,00, quando parcelada passa a quase R$ 280,00. Mas a gente acaba sendo iludido pela proposta de dez vezes, 12, e aproveita a facilidade. Compramos a prazo mesmo sabendo que pagaremos mais caro”, conclui.

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