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Para reitor da Unesp, pagamento de pessoal compromete investimentos

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 2 min

O reitor da Universidade Estadual Paulista, Marcos Macari, confirma que o alto percentual destinado à folha de pagamento compromete os investimentos na instituição educacional. “No atual quadro orçamentário e financeiro, a autonomia, no que se refere aos investimentos, está extremamente limitada, pois cerca de 90% dos recursos estão comprometidos com pagamento de pessoal”, diz.

Paulo César Razuk, ex-vice-reitor da Unesp na gestão 2001/2004, elenca uma série de justificativas para defender o aumento do repasse às universidades públicas paulistas.

“A tecnologia sempre está avançando é nós precisamos qualificar cada vez mais os nossos professores. Precisamos de laboratórios específicos para acompanhar essa evolução tecnológica”, aponta.

Razuk lembra que a universidade pública não separa o ensino da pesquisa e da extensão. “Nosso docente é obrigado a fazer o ensino, a pesquisa e a extensão. Existe uma indissociabilidade nessa tríade. Só com a pesquisa o docente se qualifica para o ensino. E a extensão é uma contribuição a mais do professor para a sociedade que mantém essa universidade”, observa.

Também é motivo de preocupação do ex-vice-reitor a folha de pagamento dos inativos das universidades. “Esse componente cresce com o tempo. Assim como a USP atingiu uma situação de equilíbrio dinâmico, a Unesp também vai chegar lá. Hoje, comprometemos 28% da folha com os inativos. Simulação que fizemos na época da nossa gestão mostra que nós vamos avançar um pouco com esse percentual. Talvez chegaremos a 32%, 33%, até atingirmos o equilíbrio dinâmico”, explica.

Segundo Razuk, existe a perspectiva dos inativos serem vinculados ao Instituto de Previdência do Estado de São Paulo (Ipesp). “Nós pagamos o Ipesp empregado, e a Unesp começou a recolher o Ipesp empregador. É claro que o Ipesp, neste momento, não tem condições de absorver toda essa massa de inativos das universidades. Seria necessário que o governo criasse um fundo”, opina.

O professor, porém, diz que tem dúvidas a respeito da vinculação dos aposentados das universidades ao Ipesp. “Com certeza, vai haver uma defasagem salarial ao longo do tempo. Será que vai haver paridade? Provavelmente não. O incremento que será dado aos salários dos ativos não será o mesmo que o Ipesp dará aos inativos”, prevê.

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