Nos idos de abril de 2003, manifestei, expressamente, nesta coluna Tribuna do Leitor, deste prestigioso JC, comentários sobre distribuição de renda; serviços básicos a serem prestados pelo poder público; política social do governo; e sobre a eleição vitoriosa do excelentíssimo senhor presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, que utilizou, amplamente, o slogan: “A esperança venceu o medo”. Comentei sobre a necessidade de melhor “distribuição de renda”, face à alta dos preços e baixo consumo dos alimentos; alta taxa de desemprego e de impostos; situação de miserabilidade dos menos afortunados, que viviam e vivem à margem do processo produtivo e têm pouca qualificação profissional.
Afirmei que o Congresso Nacional não estava interessado em mudar tal situação. A pesquisa nos mostra o aumento da violência e a iminência de todos nós ficarmos ou estarmos reféns dos delituosos e criminosos fabricados por essa situação. Comparei a situação a um grande funil, onde a população estaria na parte mais espaçosa. Com a operação de afunilamento, os menos poderosos e os mais fracos iam sendo expelidos para fora do funil, os considerados como marginalizados, excluídos ou descamisados. Esse era e ainda é o retrato de nossa realidade. Em 2002, com a vitória do candidato do PT à presidência da República, muito se falou que a “esperança venceu o medo”. Engodo que o PT sempre pregou, que, ao ser governo, se aproximaria do povo, governaria com ética, retidão e competência; promoveria mudanças profundas no sistema de governo, ou seja, mudaria tudo que estava errado, pois, era isso que sempre havia combatido nos governos anteriores.
Naquela oportunidade, pedi bênçãos e desejei “boa sorte” ao senhor presidente e ao PT, assim como remeti uma carta ao advogado e atual ministro da Justiça pela sua nomeação, dando-lhe conhecimento e solicitando sua atenção em relação ao caso Valorama. Citei que o “social” precisa de mais atenção da classe política, não de paternalismo, mas de seriedade, interesse e retidão no trato da coisa pública, inclusive para proporcionar maiores oportunidades ao povo. Bastou tão e somente dois anos e meio para que o PT mostrasse a que veio.
É indescritível e inacreditável os fatos a que estamos tomando conhecimento pelos meios de comunicação. Bastou a entrevista de uma ex-secretária e o desabafo de um ex-presidente de partido, corajoso deputado (corajoso porque arcará com a responsabilidade de seu ato), para que todas as mazelas viessem à tona. Vejam que não são poucas. Aliás, são excessivas e extremamente maiores do que poderíamos imaginar, iniciadas desde e para fazer frente à eleição vitoriosa de 2002, conforme afirmações de pessoas do próprio partido e da imprensa.
Era de se estranhar, porém agora compreensível, a cada vez maior fúria do presidente Lula pela arrecadação de todo tipo de imposto, como por exemplo o Cofins, o IR, Importação e Exportação, além dos inúmeros contratos superfaturados, a cargo de Marcos Valério. Se assim não fosse, como poderia haver tantos desvios, como os que ora são divulgados pela imprensa? A questão é como tudo acabará? Como será o cenário político daqui por diante? Em qual político podemos acreditar? Como todo cidadão, estou indignado porque acreditei e torci, como a maioria do povo brasileiro, quando a “esperança venceu o medo”, só não imaginava que a “corrupção vencesse a esperança”.
Darci da Luz - advogado