Regional

Pinga pode ter matado dois em Garça

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Garça - A Polícia Civil está investigando a morte misteriosa de duas pessoas, no último fim de semana, em Garça (80 quilômetros de Bauru).

Há suspeitas de que as mortes teriam sido provocadas por uma bebida alcoólica supostamente contaminada. O produto foi recolhido pela polícia e enviado para análise. Os corpos das vítimas também foram encaminhados para exame no Instituto Médico Legal (IML) de Marília.

Segundo um funcionário ouvido pelo JC, não há previsão de quando o laudo ficará pronto. Como o IML de Marília não tem equipamentos para fazer as análises, o serviço será realizado pelo Departamento de Toxicologia da Polícia Civil, em São Paulo.

O caso está sendo investigado pelo delegado Valdir Tramontini, chefe do Setor de Investigações Gerais (SIG) de Garça. Assim que ficou sabendo das mortes, ele determinou a imediata apreensão da bebida.

De acordo com o relato feito ao delegado, o pedreiro Genésio Pedro Marques, 50 anos, morador na rua Cícero Guanaes Simões, no Jardim Sol Nascente, foi até a casa do lavrador Messias Nunes, 47 anos, que mora no mesmo bairro, no sábado à tarde.

Os dois conversavam quando o pedreiro decidiu ir até a casa dele e retornou com um copo cheio de pinga. Segundo testemunhas, os dois beberam juntos e o lavrador teria comentado que a pinga estava com um gosto estranho.

Cerca de meia hora mais tarde, os dois começaram a passar mal e teriam vomitado. Por volta das 20h, o lavrador foi levado para o pronto-socorro do Hospital São Lucas. Ele foi medicado e retornou para a casa quando seu quadro clínico havia melhorado.

Durante a madrugada de domingo, foi o pedreiro quem passou mal. Ele foi levado ao pronto-socorro da cidade por volta das 4h. Ele permaneceu internado o dia todo, mas morreu por volta das 17h. Na manhã de segunda-feira, Nunes começou a se sentir mal e novamente foi levado para o hospital, onde morreu pouco depois.

Ao saber da história, o delegado Tramontini foi até a casa do pedreiro Marques, onde apreendeu duas garrafas plásticas do tipo “pet” de dois litros contendo aguardente artesanal. Uma delas ainda estava cheia de pinga e a outra quase vazia.

Foram apreendidas ainda outras três garrafas de vidro vazias de uma marca que é comercializada normalmente em bares de todo o País. Em seguida, os policiais se dirigiram até o estabelecimento onde a vítima havia comprado a bebida e apreenderam também as garrafas que pertenciam ao mesmo lote daquelas que foram adquiridas pelo pedreiro.

O dono do estabelecimento foi orientado pelo delegado a não vender as bebidas suspeitas até emissão de laudo sobre a qualidade das mesmas.

No entanto, as suspeitas recaem com mais peso sobre a pinga artesanal que Marques tinha em casa.

Segundo matéria do jornal Comarca de Garça, no atestado de óbito do pedreiro e também do lavrador consta que a morte de ambos foi em decorrência de choque hipovolêmico, hemorragia digestiva alta e alcoolismo.

Na tentativa de reunir o maior número possível de elementos para conduzir o inquérito, o delegado solicitou que fosse feito exame no corpo de Marques, que já estava sendo velado. O laudo, segundo o delegado, deve informar se houve realmente o envenenamento da vítima.

Outras duas pessoas também morreram em Garça recentemente depois de uma “bebedeira”. O que ocorreu neste fim de semana levantou a suspeita de que a essas duas mortes podem estar relacionadas ao mesmo motivo.

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