Cultura

Público queixa-se do Cine Bauru

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

As poltronas vermelhas do Cine Bauru marcam gerações da cidade, que delas assistiram aos maiores lançamentos dos últimos anos. Recentemente, no entanto, elas são o principal motivo de queixas do público cinéfilo. A visão nas salas é de assentos quebrados, com os braços arrancados ou com o tecido rasgado; alguns não merecem outro adjetivo senão o de destruídos. O som também não está em condições ideais e a sujeira se acumula no chão e nos vãos das poltronas – em parte, por culpa do próprio público, que não preserva as salas já corroídas pelo tempo.

Esta é a atual situação de metade das quatro salas de cinema da cidade, as do Cine Bauru, na rua 13 de Maio. As queixas são constantes e renderam até mesmo uma comunidade no site de relacionamentos Orkut, “Eu odeio o cinema de Bauru”, na qual as duas salas, localizadas no Centro, são as mais criticadas.

A empresária Elizabete Gasparin Guedes, que foi ao Cine Bauru no último fim-de-semana para assistir ao filme “A Sogra”, também indignou-se com o que encontrou na sala 2. “Sou freqüentadora assídua dos cinemas. No domingo, eu vi a indignação de todo mundo que chegava à sessão. A sala estava suja, sujeira acumulada mesmo, não só da sessão anterior”, afirma.

Sua principal queixa, no entanto, é com a situação das poltronas. “Não se consegue sentar. As pessoas andam o cinema todo procurando uma poltrona inteira. Todas estão quebradas, rasgadas. Pagamos R$ 8,00 pelo ingresso e não há condições de sentar confortavelmente. Acho um desrespeito com a população”, reclama.

Para o analista de sistemas Ulisses Polati, que vai ao cinema constantemente, o preço do ingresso cobrado pelas sessões não é equivalente ao serviço prestado pela empresa. “As salas do Cine Bauru não têm estrutura de som, as cadeiras estão todas rasgadas e quebradas. Eu acho que esse é um cinema bom, por seu tamanho, mas precisa de uma reforma. Do jeito que está, está acabado”, destaca.

Além da estrutura, Polati também aponta os problemas na projeção. “Já houve vezes de arrebentar a fita e parar o filme. Demora cinco minutos para voltar e geralmente perde-se um pedaço do filme. Aconteceu comigo duas ou três vezes”, relembra.

Na opinião de Marilda Paez e Alice Neves, que assistiram anteontem ao longa “2 Filhos de Francisco” no Cine Bauru 1, a imagem e o som da sala não tem problemas. “A única coisa que, na minha opinião, poderia melhorar, são as poltronas. Pelo uso, elas não estão boas. Do resto, não tem nada tão grave”, observa Marilda.

Em fevereiro do ano passado, em entrevista ao JC Cultura, a gerência dos Cines Center e Bauru informou que as salas do Centro passariam por reforma após o término das restaurações dos cinemas do Shopping.

A reportagem do JC Cultura entrou em contato com o grupo Cine Araújo, em Botucatu, que administra o Cine Bauru e o Cine Center, para questionar se há alguma intenção de reformar os cinemas do Centro da cidade, assim como foi feito no ano passado com as salas do Bauru Shopping. Além do envio dos questionamentos por e-mail, anteontem, a reportagem tornou a ligar nos últimos dois dias, buscando uma resposta à entrevista, mas não houve retorno até o fechamento desta edição.

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