Solidão e multidão, dois opostos que se atraem. Para a surpresa de muitos, a solidão muitas vezes consiste em um sentimento de estado, no qual não é preciso necessariamente estar sozinho para estar só. Há diversas maneiras de essa temida sensação se infiltrar em nossas vidas. Quem nunca se viu cercado por uma multidão e se sentiu completamente sozinho por um instante? Ou ainda, já teve vontade de se marginalizar perante a sociedade? Certamente já presenciamos alguma dessas situações.
Nos últimos tempos é comum a idéia de casais se divorciarem, filhos independentes, distância verbal entre vizinhos e colegas de trabalho, que na constante disputa profissional se distanciam para uma vida isolada. Tudo somado às estatísticas, confirmam que tais fatos têm uma alta contribuição para solidão.
Segundo o escritor Nelson Rodrigues, “a solidão nasce da própria convivência humana”. Esse sentimento entre os da falsidade, competição e hipocrisia, é o maior deles, e é capaz de ocupar todo o espaço que há.
Técnicas como escrever em diários e cuidar de animais de estimação são usadas para amenizar a sensação de estar só. É preciso, porém, se relacionar com o mundo, ser solidário para jamais ser solitário, formando um conjunto de ação-reação na convivência social.
A solidão foge da realidade quando encontra o equilíbrio no caminho, procurando isolados sofredores. Não sejamos esses marginalizados, tecemos um mundo unido para desfazer a tênue teia da solidão. Até porque, segundo o escritor João Cabral de Melo, “um galo sozinho não tece uma manhã”.
Jéssica Araújo Franco, estudante, RG 40.979.031-X