Polícia

Marcado segundo júri do caso Olyntho

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

A Justiça marcou para o próximo dia 13 de dezembro o julgamento de dois dos três acusados pela morte do empresário Nélson Olyntho Machado, desaparecido desde agosto de 2002, num dos casos policiais de maior repercussão dos últimos anos na região de Bauru. Até ontem, o corpo do empresário não havia sido localizado. Em março deste ano, Fabiano Aparecido Cardoso, um dos três acusados, foi condenado a 16 anos de reclusão. Agora, é a vez de Marcelo Gabriel Ferreira e Reinaldo Pereira de Brito irem a júri popular.

O promotor Djalma Marinho Cunha Filho, responsável pela acusação, já espera um julgamento longo, de dois dias, como foi o primeiro, em março deste ano. “Vai começar às 9h do dia 13 e provavelmente terá dois dias de duração”, comenta. O corpo de jurado, que decidirá se Ferreira e Brito são culpados ou inocentes, ainda será composto por pessoas da comunidade cujos nomes serão sorteados pela Justiça, o que deve ocorrer em novembro.

Ferreira e Brito são acusados de homicídio e ocultação de cadáver. Além dos dois crimes, Ferreira também responde por seqüestro. Se forem condenados, cada um deles poderá pegar de 14 anos a 36 anos de prisão. A defesa do primeiro dos três acusados julgados, que foi condenado por homicídio e ocultação de cadáver, está recorrendo da sentença. Apesar do corpo de Machado não ter sido localizado, o júri reconheceu a autoria e a materialidade do crime de ocultação de cadáver.

Em março, o julgamento começou com os três réus, mas os advogados de defesa de Brito conseguiram desmembrar o processo ainda no início dos trabalhos. Horas depois, o advogado de Ferreira pediu adiamento da sessão para seu cliente, que foi concedida. O motivo alegado foi doença na família do advogado. Seguiu-se, então, o julgamento apenas de Cardoso.

Agora, para o novo julgamento, foi juntada aos autos do processo gravação em que Ferreira, na fase de inquérito policial, confessou que viu Olyntho ser espancado até ficar desacordado. Os três foram acusados de matar o empresário mediante espancamento, socos e pontapés, após seqüestrá-lo.

A família de Olyntho continua esperando a localização do corpo do empresário. Célia Maria Dal, ex-mulher do empresário, ressalta que a família quer enterrar seus restos mortais junto aos seus pais, em Lençóis Paulista. A expectativa dela é que, assim como Cardoso, Ferreira e Brito sejam condenados. “Esperamos a pena máxima”, disse.

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Desaparecido há 3 anos

O empresário Nélson Olyntho Machado desapareceu no dia 8 de agosto de 2002. Ele foi visto, pela última vez, entrando em um carro com os acusados do crime. Apesar de um deles, Marcelo Gabriel Ferreira, ter confessado que seqüestrou Olyntho e que viu ele sendo espancado pelos outros dois até ficar desacordado, não há informações públicas de que existam provas de que ele realmente morreu.

Ferreira afirmou, em depoimento, que Reinaldo Pereira de Brito, ex-cunhado de Olyntho, e Fabiano Aparecido Cardoso, pretendiam enterrar Machado em uma cova que ele viu já aberta na área rural de Agudos.

Porém, perante o juiz, Ferreira negou envolvimento no caso. O motivo para o crime seria uma briga familiar. Machado teria ajudado sua irmã, que era casada com Brito, a sair de Bauru.

O casal estaria passando por um momento turbulento. A irmã do empresário acusava Brito de agressões e espancamentos. Brito teria feito ameaças a Olyntho porque queria saber sobre o paradeiro de sua esposa.

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