A gravidez precoce e a condição financeira de parte da população refletem o perfil das mães doadoras de leite em Bauru. O Banco de Leite Humano, ligado à Secretaria Municipal da Saúde, não faz levantamento socioeconômico das mães, mas indica que aproximadamente 50% do público doador é formado por mulheres de baixa renda. Mães entre 15 e 18 anos somam 20%. Até ontem, porém, o banco tinha apenas 12 doadoras e consegue atender somente casos graves. Com a 14ª Semana Mundial da Amamentação, que começa hoje, funcionários esperam aumentar o número.
Coordenadora do banco desde sua criação, há 21 anos, Maria Nereida Panichi explica que o perfil das mães doadoras é composto por mulheres de classes média e baixa, entre 20 e 30 anos. Há um ano, entretanto, mães adolescentes, entre 15 e 18 anos, representam parcela significativa das doadoras. “Temos hoje o reflexo do que existe na sociedade. Como temos muitas meninas tendo filhos, temos número maior de doadoras adolescentes. Isso não acontece só em Bauru”, acredita.
Regiane Gouveia da Silva, 18 anos, e é uma das 12 doadoras do banco atualmente. Mãe de uma menina de dois meses, desde o nascimento da criança Regiane doa o leite excedente. “Acho que vale a pena, porque tem muitas criança que precisam. Como tenho bastante leite, dá para doar e até sobra. Da dó perder”, conta.
Apesar de representarem número considerável para o banco, são também as adolescentes que doam por menos tempo, apenas por um ou dois meses.
As demais conseguem colaborar por até seis meses. Segundo Panichi, o despreparo emocional e as mudanças no cotidiano devido à chegada do bebê justificam a desistência. “Mas elas são muito participativas e conscientes da importância”, ressalta.
Segunda vez
Participativa também é a dona de casa Nilza Pereira Lima. Aos 25 anos, ela está doando leite pele segunda vez e, se depender de sua vontade, vai doar por pelo menos um ano. “Amamentei minha primeira filha até dois anos e doei por quase um ano naquela vez. Como soube que o banco estava vazio, resolvi doar novamente”, conta.
Moradora do Jardim Andorfato, próximo ao Parque Jaraguá, Nilza é colaboradora assídua do Banco de Leite. Todos os dias ela armazena o leite que sobra nos frascos doados pelo órgão. “Vivemos com o básico, dois salários mínimos. Mas vivendo bem ou não, todo mundo pode doar. Não tem custo nenhum”, lembra.
O cadastro feito pelo Banco de Leite não informa a renda das doadoras, mas, segundo a Nereira Panichi, pessoas como Nilza representam a maioria. Pelo menos 80% das doadoras pertencem às classes médias e baixas. “Sempre foi assim. Acredito que seja porque temos mais pessoas simples na cidade e, por isso, doam mais. Mas mães de todas as classes colaboram”, ressalta.