Tribuna do Leitor

Provas de laço


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Quem assistiu às provas do Campeonato Nacional de Paint Horse, no Recinto Mello Moraes, em Bauru, e viu as fotos publicadas, pôde atestar a “coragem” dos cavaleiros. Pois bem, algumas delas funcionam assim. Homens “fortes e valentes”, a cavalo, perseguem bezerros de poucos meses de vida, em flagrante desigualdade de forças: laçam-os, derrubam-os violentamente ao solo, amarram suas patas, e essa cena se repete várias vezes, com os mesmos coitados e indefesos, além do esforço descomunal a que é submetido o cavalo fustigado e esporeado, em todas as modalidades.

O rodeio completo, incluindo as provas de laço em questão, exige dos animais envolvidos sacrifícios imensos e muita dor. Basta observar: Por que será que eles saem correndo do brete? Será que é porque recebem choques elétricos? Será que tentam se livrar de uma situação que lhes causa pavor?

Não vou me alongar, já que seria quase impossível expor aos leitores todos os trabalhos científicos, pareceres e laudos técnicos de que tenho conhecimento, e que estão em mãos de quem trabalha na área de proteção animal. São trabalhos sérios, de profissionais idôneos, que atestam os maus tratos destas provas. A título de exemplo, declara o médico veterinário dr. José E. Albernaz, em laudo técnico solicitado pela Promotoria de Justiça, em ação contra rodeio em Presidente Prudente: “Os animais utilizados são objeto de lazer, entretenimento, geração de lucro, espetáculo acobertado por um grande esquema de marketing, o principal artista é o peão, porém a base de todo o espetáculo, que é o animal, sofre ou passa por momentos de intensa agonia e incômodos para satisfação de uma multidão de espectadores e promotores.” Atesta ainda que “as provas de laço podem ocasionar nos animais diversos tipos de acidentes, com risco de quedas, contusões, ferimentos e fraturas”.

Então, pergunto, num mundo em que imperam os valores do homem capitalista (do dinheiro mesmo), quem está preocupado com isso? Os defensores da exploração animal mascaram a realidade dizendo que ele é “bem tratado”, para justificar o que está expresso nas declarações à imprensa, ou seja, de que esses campeonatos movimentam a economia da cidade, geram lucro, prestígio e dinheiro. Portanto, nada vai mudar se não ocorrer entre as pessoas e nas sociedades atuais uma reforma do pensamento, idéia defendida pelo filósofo Edgar Morin. Parece impossível, mas não é, basta começarmos a questionar as verdades cristalizadas, na tentativa de superação de alguns ultrapassados conceitos éticos e morais, o que implicaria em uma reestruturação do saber e mudanças de hábitos e práticas até então consideradas válidas.

Pedro de Souza Meira - RG 27.849.708-1

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