Tribuna do Leitor

Baile funk às 21 horas


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Acompanhando a novela das oito da Rede Globo - América , que tem abordado diversos assuntos até então não enfocados, como: a travessia clandestina das pessoas que saem de seu país de origem com o sonho de uma vida melhor nos Estados Unidos da América, os problemas que elas enfrentam durante essa travessia, que em muitas vezes não é bem sucedida, e, mesmo quando conseguem atravessar aquele imenso deserto, são clandestinas num país totalmente diferente do seu, arrumam trabalhos os mais diversos e morrem de medo de serem pegas pela imigração e serem deportadas ao país de origem; o problema da cleptomania; os problemas que os deficientes visuais enfrentam em seu cotidiano bem como suas conquistas, e o quanto ainda falta para adequação dos centros urbanos à essa deficiência; o sonho dos peões de rodeio; a pedofilia; conflitos familiares; abordagem sobre drogas, etc. Sempre vejo as novelas como mostradoras do que acontece na vida real. Acredito que as mesmas têm objetivo de entreter, informar, fazer campanhas educativas e tudo o mais a que se propõem.

Mas uma coisa que vem ocorrendo com uma certa freqüência é uma grande ênfase aos bailes-funk, e aos “cantores” que têm seu público fiel nesses bailes, muito som de DJs., uma letra que não fala e nem diz nada, além de “maior satisfação”, “boladona, boladona, boladona”, que nem sei se é isso mesmo que ela fala, ou se tem mais coisa envolvida aí. O que se sabe desses bailes-funk que existem no Rio de Janeiro? Que é um local onde rola muita droga, um céu para os traficantes, e onde os casais transam na frente de todo mundo.

Isso é o que a própria Rede Globo veiculou, há tempos atrás, porque saiu briga, morte, inclusive o jornalista Tim Lopes estava investigando e documentando esse assunto e foi morto de maneira tão brutal pelos traficantes. Eu acho que cada um faz o que quer, se diverte onde e com quem quiser, mas não estou conseguindo entender qual é o propósito da Rede Globo em incentivar esse tipo de comportamento, onde o personagem acha que o baile-funk é a maior maravilha do mundo, que está tudo bem, com aquela música, se é que se pode chamar de música, que de leve, não tem nada de bom a oferecer, até pelo contrário. A Rede Globo de Televisão é uma emissora, uma empresa consagrada e conceituada, impõe muita credibilidade, inclusive a nível mundial, ela abraça as causas sociais com várias campanhas.

Então, deixo registrada a minha indignação, e espero que os autores da novela mostrem que não é legal grafitar o quarto daquele jeito, que existe coisa melhor para se fazer do que ir pro funk, como continuar os estudos, por exemplo, porque os personagens envolvidos eram pessoas que iam para a escola, estavam sempre com os cadernos à mão, e de repente, depois de vários problemas pessoais, que todo mundo tem, se bandearam desse jeito. Acho que a população jovem necessita e tem direito a uma opção melhor e de maior qualidade para sua vida. Que tipo de adulto ele será amanhã? Que tipo de sociedade o País terá? A continuar assim, penso que a pior possível.

Vera Regina Agnelli

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