Turismo

Cidade é ponto de pescaria

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 4 min

Para quem gosta de pescaria em água doce, a região de Panorama reúne uma série de quesitos que contribuem para encantar o pescador. Além da diversidade de espécies, a cidade, localizada na divisa dos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, permite uma pescaria de aventura, sem a necessidade de percorrer centenas de quilômetros.

Mesmo enfrentando 700 quilômetros, visitantes da Capital encontram em Panorama o lugar ideal para suas pescarias, além de conforto para a família. Aloísio Gamarano e o amigo Jorge Yasuda são paulistanos e pela terceira vez estiveram em busca de tucunarés. Na bagagem, trouxeram a pescadora Cristiane Regina de Oliveira de Bertioga, que fisgou seu primeiro tucunaré nas águas do rio Paraná.

Gamarano é adepto da pesca esportiva e libera todos os peixes que pega, somente um exemplar fica no samburá. “É para o sashimi, que não abro mão.” Pelo menos três vezes ao ano, a dupla de amigos busca o aconchego do Paranoá Hotel. “Pescamos somente com iscas artificiais, que geralmente oferecem um excelente resultado, e a minha pescaria é só de tucunaré. O legal da artificial é uma pescaria dinâmica mesmo sem pegar peixe, você não esquenta a cabeça”, acrescenta o pescador.

Um casal que encontrou em Panorama um ponto especial de pesca saiu de Araçatuba, a 220 quilômetros. Carmen Shisuka Hamaguti de Lima e o marido, Sebastião Carlos de Lima, conheceram a pescaria e voltaram no mesmo ano. “Eu gosto de pegar peixe, desde lambari até espécies maiores. Todo fim-de-semana precisamos pescar”, comenta Carmen. Mas em Panorama eles não pegaram peixes pequenos, todos os tucunarés passaram de 3 quilos e o maior 5,2 quilos. “A Carmen sempre pega o maior”, brinca o marido.

Com consciência, o casal libera a maioria dos peixes: “Porque depois eu volto para pegar os que soltei.” Sebastião enfatiza que, além da conscientização, as pessoas têm de lembrar que as pessoas vivem da pesca e se o peixe acabar também se reduzirá uma fonte de renda importante para a cidade. “O gostoso na pesca é sentir o peso na vara, curtir o peixe, brigar. Depois tira foto e solta. É o que a gente leva da pescaria, a emoção”, acrescenta Sebastião.

Eles salientam que também é importante uma boa infra-estrutura, que permita o melhor aproveitamento da pescaria. “O Paranoá é bem preparado, tem estrutura para pesca, fácil acesso. Além do atendimento, que é muito bom”, comenta Carmen. Ela faz questão de comentar a o bom senso dos guias de pesca, que incentivam a liberação dos peixes. “Tem pescador que busca quantidade e não qualidade, esquece que um dia vai voltar para pescar. Os guias são bem preparados e agem com consciência ecológica”, diz Sebastião.

Carmen faz uma observação para as mulheres, que geralmente não gostam de pescarias. “Eu penso que as mulheres deveriam acompanhar mais para conhecer de perto. Você tem a oportunidade de compartilhar de um ambiente legal, da natureza, um passeio gostoso e com uma companhia agradável. Em casa, somos todos pescadores, inclusive minha mãe, de 93 anos.”

Outra turma animada que freqüenta Panorama e já trouxe os amigos começou com o casal Irani Pollak de Andrade e o marido, Giovani Pollak. Pela terceira vez em Panorama, o grupo já marca território no rio Paraná. Em busca de dourados, já têm seu guia cativo, Leonildo, que leva nos pontos de pesca do rei do rio. “Ele já é piloteiro antigo, conhece o rio. E desta vez saímos também com o Sandro, filho dele, pois estamos em dois barcos.” O casal levou amigos e parentes, como o casal Antenor Custódio Filho e a esposa Geracilda do Nascimento Custódio, também da Capital, e Sônia Pollak Gasparetto Santos, que deixou o marido em casa para pescar com o irmão.

O passeio foi surpreendente para todos, mas nada superou a alegria de Antenor, marinheiro de primeira viagem ao Paranazão. “Eu gritei para o Giovani, ‘tem um peixe aqui’ e fui tirando. Quando o peixão abriu a boca, pensei que ele fosse me morder. Fiquei assustado, emocionado”, relembra o pescador. “Quase que ele joga tudo no rio”, brinca Giovani. Mas o pescador se justifica: “Eu nunca tinha visto um pintado vivo!”

Geracilda pescou na isca viva e não se arrependeu. “É muito gostoso, peguei tucunaré, que pula um bocado. Aí eu grito toda hora, pulo, peço para alguém me ajudar. É tão gostoso, nós viciamos nisso.”

Entre muitas aventuras, a turma saiu-se bem durante os dias de estadia no Paranoá. “Eu saí todos os dias para pescar (domingo a sexta) e não deu para cansar, sempre vou pescar com meu marido”, conta Irani. “E eu, enquanto a turma pescava, aproveitei para fazer massagens, curtir a piscina, também foi muito bom”, conta Sônia, que nem todos os dias saiu para a pescaria.

Mas a turma é de pesca mesmo. Eles não gostam de bagunça no barco e já pescaram em vários rios brasileiros, inclusive no Amapá. “Foi uma aventura. Vimos onça parda, linda, enorme”, diz Giovani. Em Panorama, a pescaria foi bastante produtiva. “Aqui tem várias espécies, pegamos dourados, pintado, tucunaré. Fiquei surpreso ao ver um pescador pegar uma piracanjuba. E tem também a piapara. Aqui você pega de tudo”, diz Giovani. Para ele, pescaria é 5% equipamento, 5% habilidade e 90% sorte. E Irani acrescenta: “E ter um bom guia de pesca, sem preguiça, responsável, que conheça o rio.”

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