Funcionários da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru iniciaram ontem uma paralisação de dois dias em repúdio à recusa do governo em aumentar a verba destinada à educação no Estado na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2006. Emendas que propunham a mudança foram vetadas nesta semana pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB).
Em junho desse ano, caravanas de docentes e funcionários da Unesp e da Universidade de São Paulo (USP) foram à Assembléia Legislativa pressionar a inclusão das emendas. Na época, eles pleiteavam, entre outras coisas, a ampliação de 30% para 33% do repasse de verbas para os ensinos fundamental e médio e 11,6% para as três universidades estaduais paulistas.
De acordo com Reinaldo Cervatti Dutra, membro do conselho diretor do Sindicato dos Servidores da Unesp (Sintunesp), os trabalhadores estão indignados com a crise por que passa a universidade.
“O reitor nos encaminhou documentos dizendo que será feita uma contenção de despesas e que é para não contarmos com décimo-terceiro (salário) nas datas previstas, porque pode atrasar. Ele também diz que não vão liberar férias até o final do primeiro semestre do ano que vem e que o salário de dezembro deverá sair do orçamento de 2006”, informa.
Por decisão em assembléia realizada anteontem, os funcionários decidiram parar por dois dias. Com isso, várias atividades foram interrompidas, incluindo o atendimento de telefones, departamentos, biblioteca, laboratórios, oficinas e limpeza.
Para reforçar o repúdio, servidores e professores deverão participar de uma panfletagem amanhã, no Calçadão da Batista de Carvalho, para esclarecer a população sobre as propostas pleiteadas. Segundo Dutra, os docentes não aderiram à paralisação, mas apoiaram o movimento.
“As atividades voltam ao normal na segunda-feira. Mas já está marcada outra assembléia para as 14h, quando avaliaremos o movimento em outros câmpus. Algumas unidades, como Marília, já anunciaram greve. Nós também podemos decidir por isso nas próximas assembléias, inclusive com uma possível adesão dos professores”, acrescenta.