Impaciência, termos pejorativos, palavrões, gesticulações, arrancadas bruscas, excesso de velocidade, uso constante da buzina e discussões são atitudes inadequadas vistas com grande freqüência no trânsito e classificadas como falta de educação, “maluquice” ou estupidez por muitas pessoas. Mas não é o que pensam especialistas no comportamento ao volante. Para esses profissionais, indivíduos que agem de tais formas empreendem luta contínua para conseguir mais e mais coisas em menos tempo e desencadeiam a chamada “doença da pressa”.
A psicóloga bauruense Daniela Gibin Duarte é uma das que sustentam essa corrente científica. Ela enfatiza que as vítimas da “doença da pressa” caracterizam-se pelo desenvolvimento de diversos sentimentos negativos, como insegurança de status, hiperagressividade, franca hostilidade e autodestruição. “Geralmente, essas pessoas duvidam de seu status e suas expectativas são maiores que suas possibilidades de aquisição, o que reduz sua auto-estima. Além disso, sua agressividade envolve não só um mero desejo de ganhar, mas de dominar, indiferente aos sentimentos ou direitos fundamentais de seus competidores ou oponentes”, destaca.
Duarte acrescenta que outros sintomas associados à “doença da pressa” são a fúria e a vontade insaciável de assumir responsabilidades. “Esses indivíduos têm uma hostilidade exibida com freqüência em resposta a acontecimentos triviais. São impacientes, usam termos pejorativos, exploram erros alheios a seu favor e dissimulam muitas vezes de maneira teatral, além de desejarem fazer tudo ao mesmo tempo e apressarem suas atividades diárias, desenvolvendo comportamentos polifási-cos”, salienta a psicóloga.
Diante desse quadro patológico originário da “doença da pressa”, Duarte ressalta que motoristas com tal perfil têm grandes possibilidades de se envolverem em acidentes. “No primeiro contato já percebemos estar diante desses condutores. Estão sempre apressados, mostram-se impacientes, suspiram diante de situações contrárias, perguntam quanto tempo vai demorar, olham constantemente para o relógio, interrompem a fala dos outros, andam rápido, apressam a média das coisas e fazem as pessoas fazerem o mesmo”, frisa a especialista.
E mesmo sem citar estatísticas, a psicóloga garante que basta uma breve análise dos acidentes de trânsito no País para constatar o envolvimento, em grande número, de condutores “contaminados” pela “doença da pressa”. “São aqueles que ultrapassam no acostamento, buzinam no semáforo e estacionam em lugares proibidos, por exemplo. Esses indivíduos precisam ser orientados e, principalmente, controlar o seu estresse pessoal”, conclui a psicóloga.