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Dispensável exibicionismo


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O Ministério Público é uma instituição muito importante para a defesa da cidadania e não pode se deixar empolgar pelo exibicionismo que os meios de comunicação oferecem, permitindo-se divulgar “denúncias” que atingem a honra e a imagem das pessoas de forma, muitas vezes, irreparável. Quando membros do MP se comportam da forma como o País inteiro assistiu, no episódio circense de 19/8, em Ribeirão Preto, correndo para cima e para baixo em meio ao depoimento de uma testemunha, para dar meias notícias alvejando a reputação do ministro da Fazenda, eles fogem à missão constitucional para a qual a instituição foi criada.

A repercussão é maior porque se trata de personalidade pública, mas o cidadão comum precisa acreditar que existe um código de ética entre os procuradores segundo o qual eles devem apurar as denúncias a fundo e somente divulgá-las quando obtiverem as provas. No mundo inteiro é assim e essa é a maior força do Ministério Público.

Por se tratar do Ministro da Fazenda criou-se uma grande confusão política e um aumento da volatilidade nos mercados, com o dólar subindo 4% e a Bolsa caindo quase 3%, o que representa ganhos para alguns milhões e prejuízos para outros tantos. Pode-se dizer que é parte do jogo mas é inegável o prejuízo para nossa economia com a divulgação das acusações dando a volta ao mundo no final da semana, fortalecendo a especulação e a impressão que o País está dominado pela corrupção, porque ninguém se preocupa em ressalvar que ela é circunscrita a partes do Congresso e do Executivo e que está sendo combatida no âmbito das instituições que funcionam normalmente.

Passado este período de denuncismo, não tenho dúvida que o Brasil sairá mais forte da crise. Confio igualmente que o ministro Palocci, um homem honesto e decente, sairá fortalecido deste dramático episódio e continuará dirigindo a política econômica e merecendo o suporte do presidente. Ele foi absolutamente convincente na entrevista coletiva, respondendo com tranqüilidade às perguntas dos jornalistas e mostrando que as acusações são infundadas e foram divulgadas de forma irresponsável. Apresentou-se de forma impecável, deixando claro que não se considera indispensável ou que é o único em condições de conduzir a política econômica, o que, em minha opinião, vem fazendo com competência e probidade. Palocci passou, enfim, a mensagem correta: a blindagem da economia vem da disposição do presidente Lula de transmitir a segurança de uma política fiscal austera e de uma política monetária que produz resultados razoáveis, embora para meu gosto pudéssemos estar com o crescimento econômico mais acelerado.

O autor, Antonio Delfim Netto, é deputado federal pelo PP-SP, professor emérito da USP - e-mail: dep.delfimnetto@camara.gov.br

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