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Mentira é fruto da razão humana, diz psicóloga

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 1 min

A mentira é produto da racionalidade humana, explica a psicóloga Regina Paganini Furigo, professora da Universidade do Sagrado Coração (USC) e presidente do Instituto de Psicologia Junguiana de Bauru e Região.

Segundo ela, no início a espécie humana era nômade, vivia em grupo e compartilhava a caça e o espaço. Com a civilização e o avanço tecnológico, os interesses coletivos passaram a ceder lugar aos desejos individuais. “Assim, o homem começou a acumular bens e riquezas, cultivando o ter. Ter mais significava mais poder. Dessa forma, ludibriar, blefar, enganar foi sendo visto como algo necessário para a sobrevivência da espécie. Tornamo-nos mentirosos, de certa maneira”, diz.

Para a psicóloga, a mentira é inerente à cultura brasileira e está relacionada à colonização. “Ao chegar ao Brasil, o colonizador europeu encontrou algo totalmente distinto daquilo que conhecia: índias amamentando seus filhos, enquanto na Europa isso era feito pelas amas-de-leite; e índios sendo carregados nas tipóias, junto ao corpo materno nu. Ele identificou isso como sinônimo de demoníaco e ‘instalou’ uma civilização matriarcal, frontalmente diferente da sua”, conta.

Para sobreviver, a população brasileira passou a criar alternativas para ludibriar a realidade, pontua a psicóloga. Isso era comum entre os escravos, que eram impedidos de cultivar seus orixás e obrigados a dedicar sua devoção aos santos católicos. Para expressar sua religiosidade, muitos colocavam símbolos africanos dentro das imagens cristãs. “Teoricamente estavam louvando aquele santo, mas mentiam. Vem daí a expressão ‘santinho do pau oco’”, diz ela.

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