Dependendo da região onde está localizado, as águas do aqüífero podem atingir temperaturas relativamente elevadas, em geral entre 50 e 85ºC. “As pessoas fazem confusão e acham que o aqüífero é um lençol freático, mas não é. Aqüífero é reservatório subterrâneo e o lençol freático é a movimentação da água da chuvaâ€, ensina Rodrigo Agostinho.
Isso faz com que, dependendo do local, ele tenha uma característica diferente. De acordo com apontamentos feitos pela biológa Nadia Boscardin Borghetti, uma grande empresa do Oeste do Paraná consome uma floresta ao ano em suas caldeiras, mas as águas do aqüífero na região chegam a 53ºC. Em seu olhar, a gestão do manancial deve contemplar as diferentes características da água e temperatura.
“Há regiões que a água é muito salobra, imprópria para o consumo. Em outras, a temperatura favorece usos termais ou sistemas agroindustriaisâ€, exemplifica.
Antes da liberação efetiva da outorga pelo Departamento de Águas e Energia (Daee) de São Paulo, também é necessária a análise da água, mesmo que seja para uso industrial.
O geólogo Éric Muto explica que há filtros específicos para diferentes realidades. “Na análise, será observado se há excesso de algum mineral ou qualquer outra substância, se é própria para o consumo, o grau de salobridade. Agora, se for imprópria, é preciso tamponar o poço.â€
Um dos principais problemas existentes é o risco de deterioração do aqüífero em decorrência do aumento do uso e do crescimento das fontes de poluição pontuais e difusas. Essa situação exige gerenciamento adequado por parte das esferas de governo federal, estadual e municipal sobre as condições de aproveitamento dos recursos do aqüífero.