Bairros

Déficit de cobertura vegetal é culpa de planejamento

Sérgio Pais
| Tempo de leitura: 3 min

A cidade de Bauru ainda não possui um diagnóstico ambiental definitivo, mas o titular da Secretaria do Meio Ambiente (Semma), Carlos Barbieri, não hesita em afirmar que o déficit de arborização da cidade é bastante extenso.

Segundo Barbieri, para se ter um conforto ambiental, a área mínima de cobertura vegetal seria de 20%, índice só registrado em algumas cidades mais desenvolvidas no Sul do País. “E os primeiros indicativos de um diagnóstico que está sendo feito é de que a cidade tem apenas 6%”, revela o secretário.

Segundo ele, a única forma de a cidade começar a reverter essa situação é incluir o planejamento ambiental nas diretrizes de desenvolvimento. “Isso é algo que a prefeitura nunca fez”, acusa, acrescentando que Bauru foi crescendo, mas a área ambiental não foi bem estruturada.

“Algumas pessoas trabalharam bastante, mas sem estrutura para fazer o que precisava ser feito. Hoje, a impressão que tenho é que estamos atrasados mais de 20 se compararmos nossa realidade com a de cidades como Curitiba, Florianópolis, Joinville”, completa.

Para minimizar a situação da falta de planejamento ambiental, Barbieri conta que a Semma tem um representante na equipe que está elaborando o novo Plano Diretor. “E esse (planejamento) é um dos aspectos que está sendo tratado pelo nosso técnico”, diz.

O secretário diz ainda que estão em andamento diversas ações realizadas em parceria com associações de moradores e a Secretaria das Administrações Regionais (Sear), como o projeto Educação Comunitária das Administrações Regionais (Ecoar). “Mas são ações localizadas e é muito difícil fazer tudo o que a cidade inteira precisa”, diz.

A situação seria agravada ainda, segundo o secretário, pelas costumeiras dificuldades financeiras que afligem o poder público. Segundo Barbieri, a Semma só tem recursos suficientes para seu custeio, sem qualquer capacidade de investimento.

Sem dados

As dificuldades do setor ambiental da cidade não se resumem apenas à histórica falta de planejamento ou à recorrente escassez de recursos financeiros. Segundo Barbieri, a Semma sofre até com a ausência de um banco de dados que a ajudaria em qualquer esforço de planejamento.

Barbieri explica que, ao assumir, sequer poderia consultar dados teoricamente simples, como o número de praças e áreas verdes existentes na cidade. “Estamos levantando isso agora, com a designação de um estagiário só para a pesquisa, que é feita com base nas leis que deram nomes às praças. É complicado, pois são 109 anos de história para levantar”, reclama.

O secretário explica que, até esta semana, foram listadas 271 praças na cidade, excluindo canteiros centrais, rotatórias e novos loteamentos. Após essa etapa, a Semma irá locar as informações no mapa. “Mas ainda não acabou. A pesquisa é diária e ainda assim estamos descobrindo uma nova área a cada dia”, conta.

Para piorar essa carência de dados, um convênio acertado com a Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP), para realização de um detalhado diagnóstico ambiental, conhecido como videografia digital, ainda não saiu do papel.

Segundo Barbieri, o entrave seria apenas jurídico, já que a legislação bauruense não permite a “importação” de estagiários não remunerados para atividades de fins curriculares. Como Bauru não possui universidade de agronomia ou engenharia florestal ou ambiental, seria necessário trazer estudantes de fora para trabalhar no projeto.

“Apesar de haver regulamentação federal, Bauru tem um decreto sobre estágio remunerado, mas não fala de estágio não remunerado”, explica, acrescentando que será necessário uma alteração na norma atual para que o convênio seja enfim assinado.

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