Tribuna do Leitor

Língua Portuguesa


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Tive a grata satisfação de ler, no dia 16 de agosto passado, no JC, a carta do senhor Paulo Boccato sobre a língua portuguesa, argumentando que o nosso idioma precisa urgente de ampla reforma e comentando também da dificuldade que se tem no seu aprendizado.

Naturalmente, senhor Paulo, o idioma português ainda não está pronto. Nasceu, cresceu e consubstanciou-se. Agora, lhe faltam os aprimoramentos e a conseqüente simplificação para que todos nós possamos manejá-lo facilmente, sem que haja múltiplas possibilidades de erros.

Desde a sua formação e até os dias atuais, muito embora tenham sido efetuadas algumas reformas, as possibilidades de erros continuam a persistir (não há professor ou douto que não erre). Francisco Fernandes, no final do prólogo da primeira edição de seu famoso Dicionário de Verbos e Regimes, assim se expressou: “Não tenho mais que preambular, e concluirei com pedir aos homens judiciosos e versados neste gênero de literatura que relevem os meus erros e descuidos”. Um douto em gramática e filologia reconheceu que poderia cometer algum erro, algum descuido... Imagine, então, seres comuns como nós... E a maioria do povo brasileiro que recebe um ensino escolar deficiente?

Vicente Peixoto, em seu livro “Dificuldades Ortográficas Elucidadas em Ordem Alfabética”, garbosamente, no início do mesmo, escreveu: “Não escreva e não tolere que escrevam errado. Escreva certo. É demonstrativo de patriotismo procurar cada um escrever de acordo com as regras da ortografia oficial adotada em seu país. Por este livro, assim em ordem alfabética, não é difícil aprendê-las”... No final do livro, pesarosamente, contudo, improvisou-se a colagem de uma folha denominada “errata”. Nela, autor e editora, pedindo desculpas ao leitor, escrevem: “Não obstante o máximo cuidado com que fazemos sempre a revisão de nossos trabalhos, pequenos senões nos escaparam neste, para os quais nos apressamos em chamar a atenção dos prezados leitores”. E assim prosseguem, enumerando diversas páginas (26, 44, 64, 72, etc). No encerramento, com toda humildade, vai uma solicitação para que outras falhas existentes, se encontradas, fossem indicadas para o aperfeiçoamento do trabalho.

Por fim, se todos erramos, a culpa está nas regras, nos sistemas morfológico e sintático. Aqueles, que os estabeleceram, trataram de valorizá-los para se destacar dentre os pseudo-intelectuais.. Não vislumbraram, porém, o malefício que seria causado às futuras gerações, alijando-as ao saber e do progresso cultural. Há que se deixar a hipocrisia de lado e batalhar pela reforma do idioma tão logo quanto seja possível.

José Perea Martins - RG 3.571.804

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