A coluna Destaques ( JC - 17/8), informa que o Colégio Fênix de Bauru esteve representado pelo seu coordenador pedagógico, mestre João Alfredo Carrara, no 4.º Encontro Nacional e no 25.º Encontro Municipal de Educação, realizado em Montenegro/RS, em julho passado. O tema da Conferência, organizada pela Secretaria Municipal de Educação e Cultura, foi “O afeto Permeando o Cotidiano Escolar”.
Segundo o coordenador pedagógico do Colégio Fênix, a escola precisa trazer para suas discussões temas atuais e resgatar valores como companheirismo, amizade, afeto e amor. Afirma o mestre Carrara, que 650 educadores participaram do evento e a questão mais discutida foi sobre "no que a afetividade pode ajudar no aprendizado".
Interessante observar o atual secretário da Educação do Estado, filósofo Gabriel Chalita. Ele, quando assumiu a pasta da Educação em 2003, defendeu em seu pronunciamento o que denominou de "pedagogia do afeto", no processo educativo na rede do ensino público estadual. Afirmou também o secretário que a boa educação deve vir acompanhada de doses maciças de afeto, de compreensão e, sobretudo, do entendimento de que o educando é um indivíduo único, peculiar, dono de um universo que, às vezes, é pouco explorado. Citando textos bíblicos e pensamentos de grandes filósofos como Aristóteles e Platão, destacou que o respeito e o carinho são fundamentais para a formação de novos cidadãos.
Fazendo-se um paralelo entre o tema “O afeto Permeando o Cotidiano Escolar”, discutido no Encontro Municipal de Educação, realizado em Montenegro/RS, e o pronunciamento do secretário da Educação do Estado, Gabriel Chalita, defendendo a pedagogia do afeto no processo educativo na rede do ensino estadual, constata-se o interesse mútuo em se desenvolver uma educação integral nas escolas para as novas gerações. Quer dizer, sem priorizar a instrução em detrimento da formação no sentido de resgatar os valores morais permanentes e indeclináveis, negligenciados atualmente no seu cultivo.
Aspecto altamente significativo apontado pelo mesmo Carrara é a questão mais discutida no evento: “No que a afetividade pode ajudar no aprendizado”. Partindo do princípio de que só se pode estimar e apreciar aquilo que se conhece, conhecer é necessário. Desse modo, está implícita a importância dos profissionais do ensino como educadores, no relacionamento do binômio: professor-aluno. Comporta lembrar que os constituintes, ao elaborarem a Constituição Federal promulgada em 1988, denominada Constituição Cidadã, fizeram constar em seu texto que o ensino será ministrado com base no princípio da “valorização dos profissionais do ensino, garantido na forma da lei, piso salarial profissional...” Trata-se de um alerta aos governantes sobre a atenção especial a ser dispensada aos professores como formadores das novas gerações. Invoco artigo de minha autoria publicado no extinto jornal “Diário de Bauru”, edição de (13/7/1975) sob o título “Milagre dos Professores”, referente reportagem publicada no - O Estado de São Paulo - (8/7/1975), noticiando sobre o Seminário “Integração da Educação”, realizado sob os auspícios do Ministério da Educação e Cultura, em Brasília, em 1975. O Ministro da Educação e Cultura, na época, general Ney Braga, na abertura do Seminário, disse: “O clima de tranqüilidade em que vive o Brasil, enquanto o mundo todo está conturbado, é quase um milagre e isso nós devemos aos professores, que orientam a juventude”. Esta exaltação aos professores feita pelo ministro da Educação e Cultura de então, não se trata de simples elogios endereçados a uma categoria profissional. É muito mais do que isso. Pois, o que distingue o professor-educador dos demais profissionais, não é a sua pessoa, mas a missão que desempenha, porque é um trabalho realizado com a criatura humana em termos de futuro e é singularmente importante para os destinos da pessoa, da família, da coletividade, da pátria e da humanidade. O ministro fez outra afirmação dizendo: “Não entendemos que o ensino superior possa melhorar sem que nós o alimentemos bem. Com a melhoria do ensino de 1.º e 2.º graus iremos dar à universidade gente capaz de frequentá-la”.
Concluindo, o ministro, general Ney Braga, afirmou: “Eu, que não sou educador, sinto que no fundo de todos os problemas nacionais está a educação”. Estas afirmações foram feitas 30 anos atrás, e são totalmente válidas para os dias atuais.
É preciso, sim, resgatar valores como companheirismo, amizade e afeto, "permeando o cotidiano escolar". Mas é preciso também que os governantes, a família e a sociedade resgatem o valor dos profissionais do ensino como a própria Constituição Federal determina explicitamente, porque exercer o magistério hoje é fadiga e frustrações.
Rodolpho Pereira Lima - professor aposentado