O estudo da língua portuguesa insere-se num contexto maior: a comunicação e expressão, em que se incluem as artes, como o ensino do desenho (por que não mais faz parte dos currículos?). Sabe-se: comunicar é participar, é fazer saber.
Assistindo a um dos debates do Senado, surpreendeu-me a participação do senador Eduardo Suplicy. Deram-lhe três minutos para formular uma pergunta. Confusa, muito mesmo, foi a resposta do interlocutor, mas o mais grave: não entendi absolutamente nada do que disse o senador Suplicy. Afinal, o que pretendia saber o senador? O fato torna-se mais grave pelo fato de tratar-se de um professor universitário. Seriam suas aulas tão “claras” como suas argüições?
Nos acalorados debates daquela Casa, um convite para não aperfeiçoar sua “comunicação e expressão”. Empregam os advérbios “aonde” e “onde” como se fossem sinônimos, em construções assim:
- Ninguém sabe “aonde” se encontram estas provas...
“Aonde” emprega-se exclusivamente com os verbos que indicam movimento, equivale “para onde”. “Onde” equivale em que lugar, no lugar em que, com ausência de movimento.
Outro desvio prende-se ao emprego da palavra “personagem”. Em português, a palavra é feminina, assim como todas as palavras terminadas em “gem”, como ferrugem, aragem, excetuando-se “selvagem” nome comum de dois: o selvagem, a selvagem.
Outro tropeço acontece com o verbo “assistir”. Na acepção de “estar presente” pede sempre a preposição: assistir à sessão do Senado; assistir ao espetáculo, na acepção de prestar socorro, elimina-se a preposição: o médico assistiu o doente. Enfim, são tantas as incongruências que o melhor talvez seja mesmo a mudança de canal.
Insistindo: por que desenho não faz parte dos nossos currículos? Dêem uma régua a seu filho e peça-lhe para traçar um retângulo, ou mesmo um quadrado. Ficará surpreso...
Álvaro Baptista Pontes - A.P.I. nº 2.131