Regional

Vereador de Bariri é expulso de sessão

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Bariri - O vereador João Modesto de Abreu (PSB), o único da bancada de oposição na Câmara Municipal de Bariri (56 quilômetros de Bauru), foi “convidado” a se retirar do plenário durante a sessão extraordinária de anteontem.

O presidente do Legislativo, Luiz Gonzaga Febraro (PSDB), disse que foi obrigado a tomar essa atitude depois do vereador ter forçado a interrupção da sessão por três vezes. No entanto, o que mais aborreceu o presidente foi a insinuação de João Modesto de que a prefeitura estaria pagando “mensalão” aos demais vereadores para que esses votem a favor dos projetos do Executivo.

Gonzaga disse que se sentiu ofendido com a insinuação. “Nós primamos pela transparência”, declarou ele, referindo-se à Câmara como um todo. O presidente conta que fez valer o artigo 243 do Regimento Interno da Câmara, que dá poderes a quem estiver presidindo a sessão de “pedir” que o vereador se retire do plenário, se este estiver atrapalhando o andamento dos trabalhos.

O vereador João Modesto se negou a sair e pediu que os demais vereadores fossem consultados sobre a expulsão dele do plenário. Mesmo não sendo um procedimento regimental, o presidente colocou o “pedido” em votação e o mesmo foi aprovado por unanimidade. Assim, de forma inédita, um vereador de Bariri teve de deixar o plenário em obediência ao artigo 243 do Regimento Interno.

“No início, eu recusei sair porque ele (presidente da Câmara) estava me julgando, ao mesmo tempo determinando a pena e depois sua imediata execução, que era a minha saída de cena”, diz João Modesto.

A sessão de anteontem havia sido convocada para a segunda discussão e votação do Plano Plurianual (PPA) e Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Estava na pauta também uma emenda de iniciativa popular, com 1.500 assinaturas, solicitando que a Câmara impedisse a construção de uma escola municipal de 5.ª à 8.ª séries, nos altos da cidade.

De acordo com dados apresentados por profissionais da educação, atualmente existem 720 vagas ociosas nas escolas estaduais de Bariri para alunos que cursam entre a 5.ª e a 8.ª série. Por esse motivo, professores, diretores e uma parte dos alunos querem que a prefeitura use o dinheiro e o terreno para construir uma escola profissionalizante, que a cidade ainda não possui.

O único vereador a favor dessa reivindicação era João Modesto. Os demais apoiam a iniciativa da prefeitura em construir mais uma escola de 5.ª à 8.ª séries.

“(A escola profissionalizante) ajudaria a qualificar os jovens a conseguir empregos não só em Bariri, mas também na região”, justifica o vereador.

Atualmente, o município tem seis escolas de 5.ª à 8.ª séries, sendo três estaduais, uma municipal, uma particular e uma do Serviço Social da Indústria (Sesi).

A prefeitura argumenta que a obra beneficiará cerca de 550 alunos que moram em bairros populares, nos altos da cidade. Segundo apurou o JC, a construção da escola seria uma promessa de campanha do prefeito Francisco Leoni Neto (PSDB).

O PPA prevê apenas R$ 635 mil para construção e reforma de escolas nos próximos quatro anos em Bariri. Com parte desse valor, segundo informou a assessoria de imprensa da prefeitura, seria possível construir quatro salas de aula, uma para cada série (5.ª, 6.ª, 7.ª e 8.ª), até o fim deste mandato, com possibilidade de ampliação da escola nos anos seguintes.

A construção de uma escola maior não sairia por menos de R$ 1 milhão. Por isso, a intenção da prefeitura é inaugurar a escola com apenas quatro salas de aula.

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