Economia & Negócios

Isenção de ICMS para trigo não garante pão mais barato

Lilian Venturini
| Tempo de leitura: 3 min

Se o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), aprovar a isenção do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para produtores de farinha de trigo, o custo de produção do pão francês pode ficar mais barato. O Sindicato dos Panificadores de Bauru dá como certa a aprovação, mas quando o assunto é o preço final para o consumidor, esta certeza diminui. As reduções podem ser de até 10%, mas devem acontecer daqui a dois meses. Panificadores ouvidos pela reportagem acham pouco provável que o corte do imposto chegue ao consumidor.

A Assembléia Legislativa aprovou anteontem o projeto de lei que prevê a isenção do ICMS - hoje de 7% - para os produtores de trigo do Estado de São Paulo. Após a aprovação, o projeto foi encaminhado para a sanção do governador e ainda neste mês deve ser sancionado, de acordo com as expectativas do presidente do Sindicato da Indústria de Panificação e Confeitaria de Bauru e Região (Sindpan), Evaristo Gonzalez. Segundo ele, atualmente a farinha de trigo representa 30% do valor do pãozinho. Com uma taxa a menos, os custos do panificador reduziriam, o que permitiria reduzir o preço ao consumidor.

A equação, entretanto, não está tão lógica na matemática dos panificadores. Variáveis como energia elétrica, fermento - cotado em dólar - e até mesmo a possibilidade do produtor de trigo não reduzir o valor da farinha deixam os cálculos repletos de incógnitas.

“Ainda não fiz as contas, mas o trigo representa uma porcentagem pequena e talvez não chegue ao pãozinho. Várias outras questões (energia e fermento) influenciam mais no custo e, provavelmente, não serão repassados (para o consumidor)”, explica o proprietário de uma padaria na região central de Bauru, Cássio Brodt. Também cauteloso, porém mais otimista, o panificador Alexandre Gonçalves Módolo acredita que o pãozinho vai baratear. “A gente precisa fazer os cálculos ainda. Acredito que vai cair, mesmo porque fizemos campanha para isso e é interessante para nós, pequenos empresários”, ressalta.

Com a medida, lembra ainda o presidente do sindicato, o setor espera incentivar a produção da cultura no Estado e reduzir a importação - atualmente em torno de 60% no País. A partir daí, os custos da produção de trigo e dos produtos feitos com ela, como biscoitos e macarrão, seriam beneficiados.

“É toda uma cadeia produtiva. Sozinho (o corte do ICMS) não faz milagre, mas nos ajuda”, diz Gonzalez. Segundo ele, o projeto de lei influencia um setor que, em todo o Estado, mantém 160 mil empregos diretos e 13 mil empresas. Em Bauru, existem 120 panificadoras legalizadas e cerca de 1,8 mil na região. O trigo não é o primeiro produto a ter redução do ICMS em São Paulo. Em 2002, o imposto caiu 6% para os produtos farmacêuticos e 13% para o álcool.

Previsões

Em padarias menores, como a de Leonildo Arruda, na Vila Pacífico, a descrença quanto à queda dos preços é ainda maior. “Dependo dos produtores e dos fabricantes (da farinha), acho que não vai chegar ao consumidor. Se chegar, vai demorar”, afirma. Pela previsão do Sindpan, chega em dois meses, se a lei for sancionada ainda neste mês - o prazo do governador é de 15 dias. O período seria o necessário para o setor sentir os reflexos da mudança. “Nós cobramos do governo o fim do imposto e agora temos a responsabilidade de reduzir o preço do pão. Nossa expectativa é que a retirada do imposto influencie no custo da produção”, acredita o presidente do sindicato.

A segurança dos representantes anima os consumidores. O valor médio pago pelo pão francês na cidade é de R$ 0,20 a unidade e a redução permitiria comprar mais. “Reduzir é sempre bom porque assim podemos levar outros produtos” , lembra a auxiliar de escritório Raquel Fidelis.

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