Economia & Negócios

Servidores da Unesp entram em greve

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Os servidores do câmpus de Bauru da Universidade Estadual Paulista (Unesp) entram em greve por tempo indeterminado a partir de hoje. A decisão, deliberada ontem em assembléia, foi o meio encontrado pela categoria para protestar contra o veto do governador Geraldo Alckmin (PSDB) ao aumento de 0,43% no repasse de verbas de manutenção para as universidades públicas paulistas. Os professores decidem hoje se param ou não.

Se ele tivesse concordado com a alta, a Unesp dividiria com a Universidade de São Paulo (USP) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) 10% do montante recolhido pelo Estado via Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Atualmente, esse percentual é de 9,57%. O aumento consta na Lei de Diretrizes Orçamentárias/2006, aprovada pela Assembléia Legislativa (AL).

Hoje, o assunto volta ao plenário. Os deputados serão pressionados por alunos, servidores e docentes a derrubar o veto. “Primeiro, a pressão é para a inversão da pauta (o veto é o último item dela). Depois, pela derrubada” explica o servidor técnico Cervatti Dutra, membro do conselho diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Unesp.

Se dependesse apenas da Comissão de Finanças e Orçamento, que deu parecer contrário ao veto, a reivindicação seria atendida. Mas como a aprovação depende da concordância de outros parlamentares, o Fórum das Seis (concentra representantes de seis entidades sindicais e educacionais) se reuniu anteontem com o colégio de líderes das bancadas dos partidos.

“Vamos aguardar. Qualquer que seja o resultado (da votação) vamos avaliá-lo somente segunda-feira, em outra assembléia. Até lá, a greve será mantida”, acrescenta Dutra. De acordo com ele, indiretamente, a paralisação também visa atingir a Reitoria, que baixou portaria suspendendo as férias de outubro deste ano a fevereiro de 2006.

Além disso, a Pró-Reitoria administrativa enviou circular alertando servidores a não firmar compromisso sustentados no pagamento do 13.º salário, que pode atrasar. As duas medidas foram classificadas pela assessoria de imprensa da Unesp como de contenção, em resposta à queda na arrecadação de ICMS.

“Isso é um novo motivador. O câmpus de Marília está em greve desde segunda-feira. Amanhã (hoje) vamos fazer panfletagem nas (duas) portarias) e um ato em frente à biblioteca. A assembléia dos docentes (que também podem deliberar por greve) é (hoje) às 10h”, conclui Dutra.

Paralisação

Aproximadamente 350 estudantes da Unesp decidiram ontem, em assembléia realizada à noite, paralisar as atividades do câmpus de Bauru nesta quinta-feira. A iniciativa também visa refutar o veto do governador Geraldo Alckmin (PSDB) ao aumento de 0,43% no repasse de verbas de manutenção para as universidades públicas paulistas.

Caso o veto não seja derrubado hoje pela Assembléia Legislativa, eles podem aderir à greve por tempo indeterminado, iniciada hoje pelos servidores. O assunto será pauta de assembléia a ser realizada no próximo dia 13. Até lá, a proposta será amadurecida. Hoje, às 7h30, os estudantes estarão em frente aos portões da universidade para evitar a entrada de veículos. A iniciativa será repetida por volta das 13h. Depois deste horário, foram programadas intervenções artísticas.

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