Bairros

Bela Vista adota ‘novo’ tapa-buraco

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

O serviço de tapa-buracos realizado na quadra 11 da rua Rui Barbosa transformou-se em vedete para a Regional Bela Vista. A qualidade do trabalho obtido no local é superior ao observado no restante das vias públicas porque o trecho foi interditado por quatro horas, depois da aplicação da massa asfáltica. O cuidado, sempre apregoado por especialistas, foi relegado e continua em desuso no resto da cidade.

“Normalmente, a gente coloca a massa (asfáltica) e vai embora. O trânsito flui normal. Essa massa fresca estufa antes de secar. Fica um calombo. Desta vez, usamos outro procedimento. Interditamos (a rua). Ficou ótimo. Vamos repetir em outros trechos. Sábado (amanhã), vamos tentar na quadra 12 da rua São Lourenço”, explica o administrador da regional, Ricardo Ferraz de Oliveira.

De acordo com ele, a primeira etapa do serviço visa limpar o buraco a ser fechado. Na seqüência, a equipe coloca pedra e areia na cratera e, por fim, a massa asfáltica. Depois, deixa o local para trabalhar em outro ponto. No entanto, como normalmente a via pública é liberada antes da massa esfriar, os veículos deformam o buraco ao passar por ele. O problema é velho conhecido do comerciante Yoshiro Niasato, proprietário de um bar situado na quadra 11 da rua Rui Barbosa.

“Já perdi a conta (de quantas vezes a Regional passou pela rua para tapar buracos). Parei de reclamar porque já não adiantava mais. Nunca fizeram um trabalho tão bom (como o atual)”, comenta, ao incentivar a interdição. Também classifica como correta a iniciativa da Regional Bela Vista o engenheiro civil Vladimir Coelho. Ele é ex-professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e especialista no assunto.

Compactação

“Quando se usa massa asfáltica quente, tem de esperar (esfriar). Não é a solução de tudo, nem (significa) que o serviço de tapa-buraco vá ficar bom, mas melhora”, diz Coelho. Ele defende o recorte do asfalto em forma de quadrado ou retângulo para a execução do serviço. Também sustenta que o local deve ser bem limpo e a compactação do pavimento, adequada.

Neste caso, a via poderia ficar interditada apenas por uma hora após o trabalho. Mas se a massa não estiver bem comprimida, o trânsito deve ser interrompido por cerca de quadro horas, comenta Coelho. As referências são velhas conhecidas do titular da Secretaria das Administrações Regionais (Sear), Nélson Fio. Porém, ele só irá adotá-las a partir do próximo ano. “Como a cidade estava muito esburacada, se utilizássemos esse sistema (de interrupção do trânsito), a cidade viraria um caos”, afirma.

Em média, 35 quadras são recuperadas por dias, segundo cálculos da secretaria. No entanto, existem outros problemas ainda mais impeditivos para a adoção dos procedimentos.

A Sear não dispõe de cortadores de asfalto, nem compactadores. “No ano que vem vamos ter. Colocamos para comprar oito (de cada tipo). Além disso, tínhamos de fazer um atendimento rápido. Até o final do ano vamos tapar de 6 mil a 6.500 buracos. Daí vai dar para fazer o trabalho direito. Por enquanto, só faremos alguns testes (no Jardim Bela Vista)”, conclui.

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