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Solução cosmética


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Muito se fala sobre o desgaste corrosivo causado pelas condenáveis condutas que transformam a política em bagunça. Talvez seja preciso voltar as atenções para o que pode ser feito a fim de reverter esse quadro vergonhoso e repugnante. A política é coisa séria - e assim deve ser encarada. Minhas sugestões são simples e, quero crer, eficientes.

Em primeiro lugar, ao mirar o mar de congressistas a discursar e, eventualmente, a cochilar, não identificamos quem é quem na ordem do dia. Proposta número 1: quem for da oposição usará terno e gravata de tons claros. Quem for situação, traje escuro. Pronto! Acaba a confusão. Não serão aceitos independentes: ou é ou não é. Para mulheres, a mesma regra em figurino apropriado. Afinal, quem escreve a história do País tem a obrigação de tomar partido - não o partido, que é outra história.

Digo isso porque é muito fácil para o parlamentar indigno se ocultar naquela paisagem cinza das tribunas, plenários, gabinetes e corredores labirínticos. Um camaleão: em meio a tantos iguais, quem notará sua ausência - ou anuência? Traje escuro, traje claro: bateu o olho e já se sabe quem está com o presidente da República e quem quer botar as barbas dele em molho de alta fervura.

Cada parlamentar também terá monitorada, 24 horas por dia, a sua linha telefônica e suas ondas de celular. Conversas particulares serão feitas de números particulares, oras. Assuntos públicos só serão tratados a partir de telefones rastreados pelo serviço oficial de inteligência. Não haverá necessidade de quebra de sigilo - até porque não haverá necessidade de sigilo, já que os assuntos abordados são de ordem pública. Ou não são? Será, ainda, instituído o Tribunal Federal do Eleitor (TFE) - com plenos poderes para cassar o mandato de quem aprontar feio. Jornalista que usar as palavras “blindar” ou “blindagem” também deveria ser punido, mas não é o caso aqui.

O caso é que não precisamos de reforma política - precisamos turbinar a consciência, executar um choque de costumes: limpar tudo com sabão avermelhado e esfregões reforçados. Ou, enfim, diversificar a cor padrão do traje parlamentar. Um avanço na política: cabides de emprego menos monótonos.

O autor, João Pedro Feza, é jornalista em Bauru

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