O Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco, certa vez, desabafou:
“Em nosso País, nunca ocorreram apreensão ou queima de livros. As apreensões sempre foram restritas a livros pornôs.”
Em Assis, terra de ferroviários, ocorreu um caso que se não fosse seu desfecho trágico seria incorporado ao anedotário popular.
Flávio Sampaio, verdureiro, evangélico e analfabeto, nos primeiros dias do pós-golpe de 1.º de Abril, encontrou uma boa quantidade de jornais e começou a utilizá-los para embrulhar seus produtos. Infelizmente para o verdureiro, eram jornais do Partido Comunista Brasileiro, que algum militante havia jogado para não se comprometer com a repressão política. Não demorou muito para alguém denunciar o verdureiro como o responsável pela agitação e pela propaganda dos comunistas na cidade de Assis e os diligentes policiais daquela cidade, comandados pelo delegado Antonio Collesi, invadiram a casa do verdureiro para prendê-lo, bem como apreender o material de propaganda do Partidão.
Prenderam Flávio e o deixaram encarcerado por mais de 20 dias sob esta acusação estapafúrdia. Todavia, a esposa de Flávio, grávida de nove meses, assustada com a presença policial em seu lar, teve um fulminante infarto e veio a falecer, levando consigo a filha que o casal ansiosamente aguardava....
Contada por Antonio Pedroso Júnior