Economia & Negócios

Inadimplência cai 38,97% no comércio de Bauru em agosto

Lilian Venturini
| Tempo de leitura: 3 min

A lista de devedores do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) de Bauru diminuiu em agosto deste ano. Em agosto de 2004, 4.516 nomes foram registrados no órgão, contra 2.756 no último mês, o que representa queda de 38,97%. Comparado a julho deste ano, o índice de inadimplência caiu 33,28%. Para representantes do comércio e economistas, os números levantados pelo órgão significam melhora na atividade comercial local e indicam um bom final de ano para o setor.

Além de menos nomes terem sido incluídos no cadastro, outros 3 mil saíram da lista em agosto. Chamados de exclusões, este dado indica a quantidade de pessoas que quitaram suas dívidas no comércio bauruense. Comparadas ao mesmo mês de 2004, as exclusões caíram 9,30%. Em relação ao último mês de julho, diminuíram 45,34%, quando 5,5 mil pessoas retiraram os nomes do SPC. Mesmo em menor quantidade, o abandono é considerado “dentro dos padrões” pelo diretor do SPC, Sérgio Evandro Motta.

As boas notícias para o comércio da cidade, entretanto, vieram principalmente de outro dado levantado pelo SPC. A comparação deste mês de agosto em relação ao mesmo período do ano passado mostrou aumento de 27,66% no número de consultas feitas por lojistas ao órgão. Considerado indicativo de movimentação no comércio, o resultado surpreendeu o diretor do órgão.

Apesar da queda em relação a julho deste ano, as 140.498 consultas realizadas em agosto superaram as expectativas. “Esperávamos menos consultas por causa do inverno, já que a estação foi atípica (por causa do atraso). Mas mostrou que a venda foi boa e que o dinheiro foi bem distribuído”, considera.

O economista Fernando Pinho explica que o número de consultas feitas no SPC refletem o comportamento do consumidor e, por isso, o aumento indicaria bons tempos para o comércio local. “Significa que um maior número de pessoas se candidataram às compras”, completa.

Segundo ele, o levantamento reflete a recuperação da massa salarial dos trabalhadores neste ano. Com reajustes reais - acima da inflação -, consumidores conseguem comprar mais, levando conseqüências positivas ao comércio. “Esses dados refletem o aumento da renda do trabalhador. Mas aquilo que se vende mais são os bens não duráveis, ou seja, de consumo imediato e de pequeno valor, como alimentos, roupas e calçados”, ressalta.

Para o presidente da Associação das Empresas do Calçadão (AEC), Luiz Otaviano Machado, as consultas e a queda na inadimplência indicam bons resultados para o final do ano. Vistos como “termômetro” para os comerciantes, os índices mostram o aumento do público consumidor na cidade. “Estamos melhor do que o ano passado e sinaliza que estamos no caminho certo”, acredita.

Tendências

O cenário político nacional conturbado e setores da economia com resultados ainda tímidos - como o automobilístico e construção civil - não vão afetar a economia nacional, tampouco o comércio bauruense. Segundo Fernando Pinho, os lojistas vão continuar a ter bons resultados. “A política hoje tem pouco poder sobre a economia. Tudo indica que haja melhora no final do ano mesmo porque já é tendência o aumento das vendas nesta época. Principalmente para os setores que vendem produtos de consumo imediato”, avalia.

As expectativas do SPC e da AEC são de que os dados positivos alcançados neste e nos últimos meses pelo comércio local, conforme o levantamento do SPC, se repitam. Já neste mês, Motta acredita que haverá aumento nas consultas devido à chegada da primavera. “Os lojistas começam a receber as peças de verão. É uma estação com preços menores, mais duradoura e ajuda a aumentar a venda”, diz. Com estes requisitos, setembro deve gerar crescimento de 10% nas vendas e nas consultas ao órgão, segundo ele. Os nomes incluídos ou excluídos no cadastro do órgão devem se manter constantes.

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