As atividades típicas da zona rural, muitas vezes, se confundem com a expansão da área urbana, que cresce sem infra-estrutura básica. No Jardim Silvestre, na região do Núcleo Beija-Flor, o transtorno pela falta de pavimentação asfáltica se soma aos problemas ocasionados pela criação de gado e cavalos.
Uma moradora, que não quer se identificar, teve uma péssima recepção ao se mudar há um mês para o bairro. Uma de suas cachorras morreu há cerca de uma semana vítima de erliquiose, doença infecciosa transmitida pelo carrapato. A outra ficou bastante doente. Ela comenta que gastou R$ 700,00 com veterinário e mesmo assim só conseguiu salvar apenas um dos animais.
“Gastei R$ 500,00 com uma e R$ 200,00 com a outra. Uma não teve jeito e morreu. As pessoas soltam o gado para pastar em área urbana e os bichos da gente é que sofrem”, lamenta. A moradora conta que todas as noites é possível encontrar reses pastando livremente pelas ruas do bairro, que ganha ares de zona rural.
Os proprietários aproveitam a falta de fiscalização noturna e, depois das 23h, liberam os animais, que deixam um rastro de fezes por onde circulam. “Na frente da minha casa passa ônibus e um bicho desse na frente do veículo pode provocar até um acidente”, alerta.
Não bastasse os problemas causados pela localização próxima à zona rural, os moradores do Jardim Silvestre enfrentam dificuldades comuns à falta de planejamento de Bauru, como a inexistência de asfalto, o que dificulta a circulação de automóveis. A moradora também reclama que, em local de ruas de terra, o ar está sempre carregado de poeira. “A rua onde passa o ônibus é uma poeira danada”, relata.
Os sistema respiratório dos moradores sofre com as constantes queimadas provocadas por quem joga lixo nos muitos terrenos vazios existentes no Jardim Silvestre.
O diretor do Departamento de Saúde Coletiva (DSC), Mário Ramos de Paula e Silva, sugere aos moradores que façam um abaixo-assinado ou encaminhem ao Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) as reclamações individuais.
Ele comenta que, dependendo da gravidade dos problemas, é possível mobilizar uma força-tarefa com equipes da Secretaria Municipal da Saúde, Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) e Polícia Militar. O Centro de Controle de Zoonoses mantém uma equipe de apreensão de animais atuando 24 horas a partir das reclamações encaminhadas ao órgão municipal.