Brasília - O presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti (PP-PE), informou ontem - por meio de uma nota - ter sofrido uma tentativa de extorsão e encaminhou um pedido de investigação ao Ministério da Justiça. O ministro Márcio Thomaz Bastos já determinou que a Polícia Federal (PF) investigue o caso.
Segundo a nota de Severino, ele sofreu uma tentativa de extorsão de Sebastião Augusto Buani, proprietário de uma empresa que administra um restaurante no 10.º andar da Câmara. Buani teria procurado revistas semanais, entre elas a “Veja”, que traz reportagem na edição deste fim de semana, onde o empresário diz que pagava a Severino um “mensalinho” de R$ 10 mil para obter benefícios na renovação do contrato do restaurante com a Câmara.
De acordo com a nota de Severino, Buani procurou as revistas para “tentar vender histórias sem fundamento, entre as quais a de que beneficiava o presidente da Câmara com pagamentos em dinheiro”.
Buani é dono da empresa Buani e Paulucci Ltda. e tem a concessão do restaurante, localizado no Anexo 4 da Câmara, desde janeiro de 2000. O contrato foi sendo renovado anualmente e vence agora em 14 de setembro.
A Câmara quer revogar unilateralmente a concessão, alegando que a empresa deve cerca de R$ 150 mil relativos à cessão do uso. “A dívida será executada. Por isso, (Buani) vem tentando, nesses últimos dias, fazer pressão sobre a direção da Casa”, diz a nota. Buani não foi localizado ontem.
A reportagem falou com Fernando, que se apresentou como seu sobrinho, mas que não soube dar detalhes de onde estava o tio. Buani teria em seu poder um documento assinado por Severino que lhe assegurava a concessão do restaurante por cinco anos e usaria isso como evidência de que o deputado lhe teria beneficiado.
A assessoria da Câmara admitiu que o presidente pode ter assinado o papel de forma “desavisada”, mas diz que o documento não tem valor jurídico porque pelas normas da Casa os contratos precisam ser renovados a cada ano.
Tão logo teve a informação de que a acusação viria a público, Severino reuniu, no começo da tarde, uma equipe de assessores e aliados em sua residência oficial. Formaram seu “gabinete de crise” o 2.º vice-presidente da Câmara, Ciro Nogueira (PP-PI), o secretário-geral da Mesa Diretora, Mozart Vianna, o diretor-geral da Casa, Sérgio Sampaio, além da equipe de assessores.
A reunião estendeu-se até as 17h30. “O presidente Severino Cavalcanti repele, com indignação, as aleivosias do sr. Buani. Nenhuma só dúvida deverá ficar sem resposta. A administração da Casa é transparente, não tem nada a esconder, nem à imprensa, nem à opinião pública”, diz a nota. Segundo Sampaio, Severino nunca o procurou para pressionar que “aliviasse” contra Buani. “Estou com a consciência tranqüila e limpa. Desafio quem ache alguma coisa. Nunca tive nenhum pedido que me constrangesse”, declarou o diretor-geral.
De acordo com ele, o prazo para o empresário pagar o que devia esgotou-se ontem. A dívida será executada na segunda, segundo Sampaio.